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terça-feira, 16 de agosto de 2011

A Parte Divina do Cérebro – Uma interpretação científica de Deus e da espiritualidade


Já dizia o ditado: antes tarde do que nunca. Anunciei a “tragédia” no post anterior, mas só agora consegui escrever. Bom, o que vale é que cá estamos. E lá vamos nós!

Como definiu o vencedor do Prêmio Pulitzer, Edward O. Wilson, excelente leitura. Afirmo sem sombra de dúvida que esta obra de Matthew Alper, seu primeiro livro, é daquelas capazes de influenciar naquilo que você é, ou pode vir a se tornar. Tem a capacidade de mudar uma pessoa que esteja “aberta a sugestões”. E para melhor aproveitamento do conteúdo a dica é: livre-se dos preconceitos e dogmas religiosos antes de iniciar essa rica leitura, dado o seu conteúdo crítico e o choque que pode provocar em pessoas que não estejam dispostas a descobrir ou ao menos considerar uma nova explicação para Deus.

E o “pior” de tudo (para quem não estiver disposto a levá-lo a sério) é que a obra é fruto de intenso estudo científico, com embasamento que beira o indiscutível. Ouso dizer que tais ideias em outra época seriam um passaporte para uma das fogueiras da Santa Inquisição. Bem...naquela época não haveriam ferramentas para construir tal teoria.
      
Descrevendo de uma forma breve o caminho que Alper percorreu para escrevê-lo. Aos 21 anos, já tendo estudado todas as religiões possíveis em busca de uma compreensão de Deus, estava frustrado pelas imensas falhas e inconsistências lógicas das doutrinas. Experimentou drogas psicodélicas e meditação transcendental, sem sucesso. Obteve das experiências com LSD uma profunda depressão. Curou-se com a ajuda de medicamentos. Foi aí que passou a buscar na ciência uma possível resposta para seus questionamentos.
       
Começando pela base, estudou física, que o levou à química, que por sua vez o levou à biologia e demais áreas. De forma interessantemente estratégica para o que apresenta a seguir na obra, após descrever um pouco sobre suas experiências, emprega algumas páginas para definir o que é ciência. Ainda, no que define como Livro I – Evolução da Teoria, apresenta “Uma breve história do tempo ou Tudo o que você sempre quis saber sobre o universo mas nunca teve coragem de perguntar”, e outros assuntos que se farão importantes para a compreensão do Livro II – Introdução à bioteologia.
   
Torna-se difícil uma descrição simplificada do livro, dada a riqueza de detalhes e informações que suportam a bioteologia, mas vou tentar.
     
O autor demonstra diversas situações que comprovam a existência de comportamentos universais, e as razões que levam a considerar que praticamente em todos os casos tais comportamentos são fruto de nossa programação genética. A religião, a espiritualidade e a crença em Deus(es) encaixam-se perfeitamente nestas características expostas no livro, e sua explanação detalhada e de respeitosas referências dificulta argumentações contrárias.
      
Nossa condição humana nos leva a um único fim inquestionável: a morte. Tomemos isso como verdade, mesmo que possa não ser. Tomemos também como verdade o fato de que a crença em Deus e em uma vida do lado de lá seja fruto de nossa mente, dado uma programação genética tal qual aquela que nos faz interpretar cores ou sabores. Sendo isto verdade, da mesma forma como há pessoas que não enxergam perfeitamente as cores devido a uma disfunção genética, ou o fato de que cada um de nós tem sua própria percepção da realidade, e que esta percepção é diferente para cada indivíduo, também o fato de que a tendência para desenvolver um lado espiritual, religioso ou acreditar em Deus com certa intensidade também seria variável entre os indivíduos da nossa espécie.
Pois bem. A teoria da evolução de Darwin, caso você não seja um religioso extremista fechado a qualquer pensamento bem fundado e consistente, faz pleno sentido, e é amplamente aceita. De uma forma geral, ela descreve que dada certa distribuição de características definidas geneticamente, aquelas que confiram aos indivíduos maiores possibilidades de sobrevivência consequentemente tem maiores chances de serem transferidas aos seus descendentes, e acabam “moldando” as espécies da forma como as conhecemos hoje, adaptadas ao seu meio.

Agora tomemos como exemplo indivíduos que, devido às suas características genéticas, tenham baixa propensão a acreditar em Deus ou em uma vida após a morte. Infelizmente para grande parte da população, mesmo nos dias de hoje, a morte é algo assustador, e a fé em uma vida posterior é uma forma de conforto. Imaginemos esse indivíduo de pouca fé. Se não há um propósito posterior as chances de sobrevivência deste são reduzidas, caso não possa lidar psicologicamente com a ideia de que a morte é a extinção de seu “eu”. O suicídio pode ser um caminho, reduzindo as chances de propagação de seu “gene espiritual”. Em outras palavras, a fé em Deus ou em uma vida após a morte poderia ser uma adaptação genética, propagada através das gerações, pois aumentaria a probabilidade de sobrevivência da espécie.
             
E o que tenho que admitir é que o livro, escrito de uma forma simples e acessível, traz provas suficientes para acreditarmos na bioteologia. Quer dizer...suficientes para mim. Talvez eu esteja entre aqueles onde a parte espiritual genética não seja tão desenvolvida, e consiga aceitar bem tais ideias. De uma forma ou de outra, a leitura é válida e muito interessante, sobretudo àqueles de “espírito” irrequieto, em busca de respostas ou de um caminho para a compreensão de si mesmos.
      
Dei um grande passo com este livro. Espero que possa ajudar alguém mais. Altamente recomendado. Mas, como disse no início, leia sem preconceitos.

Boa leitura!

O livro: A Parte Divina do Cérebro – Uma interpretação científica de Deus e da espiritualidade. Matthew Alper. Rio de Janeiro: BestSeller, 2008.  

Lendo no momento: Guia politicamente incorreto da história do Brasil. Leandro Narloch.

Um comentário:

  1. God, the set of science within our brains operating to perpetuate the human race? Perhaps!

    Maybe we are in a new era of discoveries, all profoundly based on scientific proves, that will end up convincing every one of us that God really exists!
    I guess it doesn't matter the definition we may have and/or believe in, what counts in the end is what we do after we're convinced there's such an "entity, power, light,energy, gene, spirit" or any other lable we can come up with to give it a name.

    As it goes, for someone who has seen the light, is impossible to stay in the dark!

    It's clear and visible the effect this book has made over you! I suppose is not that easy to go deep into the author's ideas, as you said, but I will try.

    Maybe one day we can sit and exchange our impressions over this book.

    I must say your posts are incredibly appealing and have made me spend more money in books!

    Congratulations for sticking to your dreams!

    Kiss.

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