Pesquisar este blog

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Vem por aí...

Nas últimas semanas iniciei a leitura de um livro chamado "A Parte Divina do Cérebro". Há meses, senão anos (uns dois, talvez), ele estava em minha prateleira, convidativo. Pretendo finalizá-lo em breve, e então escrever um post.
Mas não consigo me conter para dividir a experiência, uma vez que tem sido única. Vou arriscar, mesmo antes de terminar de lê-lo: um dos melhores livros que já passaram por minhas mãos. Não é romance, não é ficção. Trata-se do trabalho de uma vida; o "compêndio" das experiências de um homem em busca da "verdade" sobre o divino.
Por hora não vou me ater a seu conteúdo específico. Isso fica para um próximo momento, em breve.
Para dar uma pequena idéia do quê se trata, tomei a liberdade de copiar a página que fala do autor. Espero não ser processado por plágio. :P Os devidos créditos vão ao final.

"Quando, ainda na infância, percebeu que um dia morreria, Matthew Alper iniciou a jornada de uma vida para descobrir se existe ou não uma realidade espiritual, se existe um Deus. Era ele meramente um mortal de carne e osso, ou algo mais que, talvez, transcendesse as restrições de sua frágil e efêmera existência física? Depois de graduar-se em Filosofia, Matthew continuou sua busca enquanto trabalhava, exercendo várias funções, de fotógrafo-assistente na cidade de Nova York a professor de história para alunos de ensino fundamental e médio num curso do Brooklyn, de contrabandista de caminhões na África central a roteirista de filmes na Alemanha. Então, voltou para Nova York, onde escreveu The "God" Part of the Brain, que considera a obra de sua vida. Desde a primeira publicação do livro, em 1996, Matthew ministra palestras por todos os Estados Unidos, apareceu na rede de televisão NBC, participou de numerosos programas de rádio, viu seu livro sendo usado em várias faculdades, foi elogiado por ganhadores do prêmio Pulitzer e importantes acadêmicos e cientistas. Ele é colaborador da antologia Neurotheology, obra sobre a nova ciência que está surgindo e da qual é um dos fundadores. Mora atualmente em Park Slope, Brooklyn, com seu gato, Sucio."

É isso. Está anunciada a próxima postagem!

Um abraço!

O livro: A Parte Divina do Cérebro. Matthew Alper. Editora Best Seller. Rio de Janeiro, 2007.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Saturação


Nas últimas férias da Universidade tive a oportunidade de participar de um programa de trabalho escravo nos Estados Unidos, por quase quatro gelados meses. Para minha sorte, algumas pessoas não se esqueceram do pequeno Junior. Na volta, recebi um ótimo presente da minha querida Tia Nedi. (Aliás, ela é em grande parte responsável por esse meu vício de ler. Não há como não ser influenciado pela mágica biblioteca da Tia Nedi! Passar a infância e a adolescência fuçando naqueles livros me moldou em parte.) Não sei como ela adivinhou que eu iria gostar do presente: um livro!

Pois bem. Recebido e devidamente lido. Bom, inclusive. Tanto que vou falar um pouco sobre o tal.

Trata-se de “Saturação”, escrito pelo francês Michel Maffesoli. Sociólogo, professor da Université de Paris-Descartes – Sorbonne, é considerado um dos fundadores da sociologia do cotidiano e conhecido por suas análises sobre a pós-modernidade, o imaginário e, sobretudo, pela popularização do conceito de tribo urbana. Dentre outras qualificações, é também um ótimo escritor.

Confesso que a leitura foi demorada, dada a densidade do conteúdo e minha inabilidade com textos excessivamente filosóficos. Mas, como toda tentativa é válida e devemos nos concentrar na absorção de algo proveitoso, consegui extrair algumas idéias bacanas e que gostaria de compartilhar. 

De uma forma geral, o texto trata sobre uma nova forma de se ver o mundo, a sociedade e a cultura. A vida em si. Como pista dada pelo título, a cultura que os mecanismos dominantes e formadores de opinião insistem em sustentar está saturada. É inegável que estamos em outro contexto, em uma nova realidade. Mas insiste-se em “adaptar” uma cultura que já não há como ser modificada, fruto dos séculos passados.

“Esquecendo progressivamente o choque cultural que lhe deu origem, a civilização moderna homogeneizou-se, racionalizou-se em excesso. E é sabido que “o tédio nasce da uniformidade”. A intensidade do ser perde-se quando a domesticação foi generalizada.”

Mais do que uma ótima análise da cultura pós-moderna, como cita o autor, o texto estrutura-se em uma bela crítica desta sociedade em processo de reconstrução. Além disso, é uma ótima ferramenta de estímulo a uma “revisão” de nossa própria conduta.

O pensamento mecânico raciocina, o orgânico, ressoa. Ele participa da palavra coletiva, do que é “dito” na retórica da vida de todo dia. Diferentemente das palavras ocas, encantatórias e sem sentido (coisa que, com muita frequência, é considerada como sendo uma análise), a palavra orgânica se dedica a unificar, reunir, sublinhar o que se entrepertence: a vida no que ela tem de holística.”

A obra não é extensa (109 páginas), mas é extremamente rica. Conteúdo indubitavelmente de qualidade. Embora não tão simples, é o tipo de pensamento que deveria ser promovido, divulgado, discutido em salas de aula.

Fico por aqui no texto de hoje, fechando esta postagem com mais um ótimo trecho do livro:

“Talvez além desses valores ativos, ou mesmo ativistas, os da construção do controle e da dominação (de si e do mundo), seja preciso saber retornar ao nada fundador, ao vazio natural, ao dado protetor e matricial. É a isso que chamei de invaginação do sentido. Além do substancial, do ser que é nominado, ou seja, além de entidades estáveis e seguras delas mesmas: Deus, Estado, Instituição, Indivíduo, curioso retorno de uma aspiração ao vazio criador. Isso não deixa de inquietar. Pois toda a educação moderna constitui em domar, bem cedo, a juventude e dela extirpar todo aspecto natural, toda selvageria. A tirar tudo que é da origem, portanto original.” 

Leiam! Mais do que isso: promovam a leitura de qualidade, construtiva. Estimulem a busca pelo que há de “original” dentro de cada um de nós. 

Abraços!

O livro faz parte de uma coleção promovida pelo Itaú Cultural, sob o selo da Lei de Incentivo à Cultura, e é editado pela Iluminuras.

Saturação. Michel Maffesoli. Iluminuras: Observatório Itaú Cultural, 2010.