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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Em busca...

Um salve a todos (embora poucos, mas de qualidade) leitores deste humilde blog.

Hoje resolvi não escrever sobre livros. Quer dizer...há relação com eles, mas não é sobre um título em especial. O que acontece é que a mão estava coçando, com vontade de publicar algo, mas os últimos livros que li não me inspiraram em escrever.

Vou falar um pouco sobre algo que há tempo quero tratar, mas relutei em começar tal discussão (ou, devido ao fluxo de comentários do blog, apenas uma via de escape para as idéias) dado o seu conteúdo polêmico e as incertezas que o cercam.

Pra começar...

Fui criado em uma família "católica". Meus avós são muito religiosos, inclusive. Desde pequeno fui conduzido pelos caminhos da Santa Madre Igreja, com batizado, catequese, comunhão, crisma, e inúmeras outras experiências e rituais sacros, pomposamente celebrados pelos "representantes de Deus" na comunidade.
Bom, nada de anormal para uma criança nascida em uma pequena e jovem cidade de colonização essencialmente italiana e alemã, pautada em uma cultura conservadora.
Acontece que nunca fui de me contentar apenas com o que me era fornecido superficialmente.
Tomei gosto pela leitura logo cedo. Graças à minha amada e dedicada mãe, ao iniciar o pré-escolar já havia aprendido a ler em casa, com um colorido alfabeto feito por ela em uma espécie de cartolina que agora me foge o nome.
Dado o gosto precoce pela leitura, meu espírito crítico foi sempre bem aguçado. Mesmo nas séries iniciais, não deixava de questionar o professor quando achava que algo não fazia sentido ou que poderia ser visto sobre outra ótica.
Sendo que a vida religiosa corria paralelamente ao desenvolvimento deste tal "espírito crítico", os questionamentos pessoais não eram menores neste campo. Confesso que muitas vezes relutei em questionar-me sobre a veracidade das "minhas" crenças. Sim, por motivos óbvios: no que mais pode pensar uma criança de 8 ou 10 anos ao pergunta-se sobre a existência de Deus ou sobre o sentido de um ritual religioso, senão em que está pecando? Isso porque nela está incutida a cultura de medo e vingança, pregada por religiões que se dizem cristãs.

Enfim, segui a vida, postergando o momento em que poderia vir a ameaçar romper as rédeas entrelaçadas por um batismo compulsório, uma comunhão obrigatória para fins de preenchimento de um campo em um formulário de inclusão social - religião: católica.

O objetivo aqui não é desmerecer religião alguma. Pelo contrário. Para muitas pessoas elas fazem algum sentido, são uma razão maior para a existência, enfim, tornam-se uma filosofia. Cada cabeça uma sentença. Para a minha, preciso de algo a mais.

É anunciado o fim do mundo para daqui a mais ou menos um ano e meio e, buscando o caminho para a salvação de minha alma, resolvi encontrar algo que me satisfaça espiritualmente e, quem sabe, garanta meu lugar quando passar dessa para uma melhor. Brincadeira...

Voltando ao assunto sério... Ainda sou jovem, apenas 22 anos, e muito devo aprender, muito irei ler, antes de chegar a uma conclusão definitiva (ou não) de qual seria uma boa doutrina para se seguir (ou não seguir nenhuma. Quem sabe criar uma?). O fato é que tenho lido uma porção de livros nesse tempo todo (desde o alfabeto de papel até hoje), que me fazem pensar e não aceitar titular-me de religião X apenas por ter nascido randomicamente em uma cidade, família ou cultura onde aquela seja reinante. Vou além disso, citando o título de um ótimo livro escrito por Osho: "Religiosidade é diferente de religião" (qualquer dia escrevo sobre ele).
Tive a oportunidade de viajar e conhecer pessoas de diferentes "crenças" (judeus, islâmicos, cristãos, ateus...), cujos pontos de vista contribuíram para que chegasse esse dia de "libertação", em busca de uma verdade maior não definida por dogmas, regras ou questões culturais.
A questão da existência de Deus já é algo além, e ainda não estou "maturado" a ponto de definir no que acredito ou não.

Enfim...fiz o download da Bíblia (e Torá, consequentemente) e do Alcorão, pra começar. É uma jornada longa, milhares de páginas, mas finalmente irei começar a descobrir, na íntegra, a que realmente estava predestinado a defender, sem mesmo tê-la conhecido, e quais outros pontos de vista são defendidos mundo afora, a ponto de causarem guerras e mortes de semelhantes.

Concordo, este é um texto confuso e que não mostra muito a que veio, mas precisava escrevê-lo.
Escrever é uma forma de organizar idéias (mesmo que às custas de desorganizar outras cabeças que venham a ler o resultado) e de ser o estopim para o início de uma caminhada de (des)construção interior.

Independentemente de religião ou crença, acho bacana que se tenha conhecimento do que se está defendendo ou propagando, não fazendo parte de uma massa de manobra ou de uma multidão que contribui para o enriquecimento de poucos. Sobretudo quando pautados em discursos enganosos e ilusórios, quando não sem conhecimento de causa ou ideologia. Ainda, dado o fato de que ninguém voltou para contar o que há depois do último suspiro ou qual a cotação dos imóveis no paraíso (ou no inferno), o fato de se arbitrar um dízimo perpétuo de 10 % para garantir uma vaga post mortem já é por si só questionável e mote para a busca de sua própria interpretação dos fatos.

No momento me auto-declaro "sem religião", o que não significa que não sou religioso. Dentro de um ou dois anos espero concluir a leitura das sagradas escrituras, que tanto respeitei ao longo de toda minha vida, e volto aqui pra declarar minha opinião. Claro, se o mundo não acabar até lá, se não formos arrebatados, se o Apocalipse não chegar...

Faça sua parte também. "Desconstrua" o que lhe foi imposto e construa sua própria razão de ser, mesmo que o resultado final seja igual ao primeiro. Ao menos você será o engenheiro responsável pela obra que é a sua vida, os seus valores.

Já posso dormir, me sinto aliviado.

Um grande abraço.