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sábado, 6 de novembro de 2010

A Garota das Laranjas

“Muitas vezes eu tentei me imaginar aí no futuro, mas nunca consegui ter uma idéia nem mesmo aproximada de você agora, na sua vida atual. A única coisa que sei é quem você é. Só isso. Talvez tenha doze ou catorze anos, e eu, o seu pai, há muito estou fora do tempo.”

Pros fãs de Jostein Gaarder devido às suas abordagens filosóficas, uma má notícia: ‘A Garota das Laranjas’ não tem filosofia. Quer dizer... não na conotação normalmente dada à palavra, afinal não há nada sem filosofia. Mas, passa longe do que representa O Mundo de Sofia na história da literatura contemporânea, como chave de ignição dos jovens na filosofia.

De toda forma, também está longe de ser um livro ruim. Sua leitura é agradável, embora um dos personagens principais tenha uma mente excessivamente criativa e rápida, conduzindo os monólogos mentais de uma forma frenética e estranha. Nestas horas deve-se tomar cuidado para não esquecer de que se está lendo um livro, e acabar viajando junto. Pode ser que não tenha volta a sua viagem, e assim não há como terminar de ler a estória.

Brincadeiras à parte, vamos lá! O livro é narrado por duas pessoas – pai e filho – porém em tempos diferentes. O pai, Jan Olav, há alguns anos já morreu, e é só uma vaga lembrança na cabeça de seu filho Georg. Consciente do breve fim de sua existência, Jan Olav deixa ao filho uma carta onde relata episódios ocorridos entre ele e a ‘Garota das Laranjas’. Trata, sobretudo, de amor, mesmo parecendo um tanto mórbido no início. A idéia de ‘conversar’ com o pai já morto causa certa estranheza a Georg, e creio que com razão.

Ao chegar na metade do livro, mais ou menos, achei que o final já estava desvendado. Em parte realmente estava (descobri quem era a garota... tá, não foi difícil). Mas é aí que mora a genialidade do senhor Jostein. Obviamente, não vou contar o que é, pois o objetivo do blog é estimular a leitura. Mas posso dizer que ele consegue surpreender o leitor. Não é nada extraordinário, mas ficou bom.

A leitura é bem tranquila, aprazível. O livro não é longo, 132 páginas, e pode ser um bom presente. Deixando de lado a parte romântica, creio que o autor buscou instigar o pensamento sobre a fragilidade e a volatilidade da vida. Hoje se está aqui, amanhã não se sabe. Se puder saber, ao menos escreva uma carta para quem você ama.

Boa leitura!
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O livro: A Garota das Laranjas. Jostein Gaarder. Cia. das Letras, 2007.