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domingo, 26 de setembro de 2010

Pequeno Tratado das Grandes Virtudes - A fidelidade

Por que só amaríamos uma pessoa? Por que só desejaríamos uma pessoa? Ser fiel às suas idéias não é (felizmente!) ter uma só idéia; nem ser fiel em amizade supõe que tenhamos um só amigo. Fidelidade, nesses domínios, não é exclusividade. Por que deveria ser diferente no amor? Em nome do que poderíamos pretender o desfrute exclusivo do outro? É possível que isso seja mais cômodo ou mais seguro, mais fácil de viver, talvez, no fim das contas, mais feliz, e, enquanto houver amor, até acredito que seja. Mas nem a moral nem o amor parecem-me estar presos a isso por princípio. Cabe a cada um escolher, de acordo com sua força ou com suas fraquezas. A cada um, ou antes a cada casal: a verdade é valor mais elevado do que a exclusividade, e o amor me parece menos traído pelo amor (pelo outro amor) do que pela mentira.” (A. C.-S. – Pequeno Tratado das Grandes Virtudes)

Nesta longa jornada de escrever sobre uma das obras de Sponville, retomo talvez com uma das mais polêmicas abordagens – a fidelidade. Nas diversas situações relacionadas à fidelidade somos levados a pensar: fiel a quê, ou fiel a quem? Ser fiel ao companheiro, ao amigo...ou ser fiel à sua (ou à minha, como queira) vontade? Sim, pois se tal dúvida faz-se presente, é porque as opções de “ação” existentes não são para um fim comum. Aliás, sempre que a fidelidade está em voga, é porque há a possibilidade de traição de um ideal ou da confiança de alguém que se estima. E relacionamento conjugal é apenas uma das situações.
André cita que não há pensamento sem memória, ou seja, não há pensamento sem fidelidade, pois para pensar é preciso não apenas lembrar, mas querer lembrar. Pois então, é a fidelidade virtude de exercício constante, de fundamental importância para que possamos definir nosso caráter. E, por que, mesmo assim, mesmo com demasiada prática em lidar com a fidelidade, estamos sujeitos a difíceis decisões quanto às nossas escolhas?
Talvez porque somos novos a cada dia; talvez porque somos inconstantes; quem sabe, porque agimos com base no momento, e não embasados em uma análise ampla das situações.
De todo modo, estamos sempre sujeitos à inconstância. Penso que o ser humano é o mais imprevisível dos animais. E ainda se fala em racionalidade...
Enfim, da mesma forma que a compreensão e a busca por um denominador comum em relação à fidelidade são difíceis, é difícil de minha parte alimentar tal discussão. Faltam idéias, faltam experiências, falta inspiração. Falta tempo. Sobra sono.
Mesmo assim, prefiro algumas poucas linhas à não manifestação de opinião. Peço aos eventuais leitores suas importantes opiniões. Vá em frente: comente.
Um grande abraço, e boa leitura!
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O livro: Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. André Comte-Sponville. Martins Fontes, 2009.

Um comentário:

  1. We can see is not easy talking about fidelity!
    Either because is difficult to define it or because most people don't care about it anymore, excusing their infidelity in name of freedom of choice, of "do it now,'cos tomorrow nobody knows"!
    First of all is important to bear in mind that fidelity is slightly different from loyalty, even though they have an intersection point.
    In this very blog, we can see 2 examples of fidelity (one with traces of loyalty).
    Secondly, we have to agree that fidelity in terms of love (the kind of partners love), takes a different, maybe harder role in life.
    I believe fidelity in love must be something natural, kept without any effort or sacrifice. If not, it means we no longer have the same feelings. We may not have even betrayed our "loved ones", literally, but at this point, we have already done it in our minds.

    Another point you've made, refers to human's behaviour: we cannot foresee what people will do next! I completely agree on that! When under normal circumstances, it might be easier to guess our actions and reactions but, under interferences of any kind, we can't guarantee anything!

    Yes, let's allow ourselves to be new every day, to experience, to try again without forgetting
    our responsabilities toward the ones who believe
    us. Let's be courageous to use our loyalty to live in peace!

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