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quinta-feira, 8 de julho de 2010

Sobre Formigas e Cigarras

Aos que me conhecem, ou aos minimamente atenciosos aos detalhes do blog (como o título deste!), não é segredo que sou estudante de Engenharia (Química). Pois bem. Como todo ser vivente interessado ao que acontece ao seu redor, busco aprender sobre outras coisas que não aquelas pelas quais sou bombardeado incansavelmente no cotidiano acadêmico (e a criação deste blog é reflexo direto desta minha opção), tenham elas relação ou não com minha (futura, porém próxima) profissão.

Dentre estas diversas coisas posso citar, como breves e comuns exemplos, música e religião, esta mais atrelada a seu caráter espiritual do que doutrinário.

Dentro deste contexto de pluralidade de interesses como caminho para o crescimento pessoal e coletivo, surgiu a escolha do tema deste post: economia. Mais precisamente, economia brasileira contemporânea. Confesso que esta área muito me interessa, até mesmo fascina, embora seja ainda um simples admirador e praticamente leigo no assunto. Afinal, o que seria da Engenharia sem a Economia? Arrisco ao dizer: nada!

Nesta busca por conhecimento, surgiu em uma dessas ‘prateleiras-de-livraria-de-cada-dia’, de forma extremamente acessível (economia não só no tema, mas também para o meu bolso) o livro ‘Sobre Formigas e Cigarras’, de Antônio Palocci. Médico, ex-prefeito de Ribeirão Preto e deputado federal (atualmente, inclusive), Palocci foi Ministro da Fazenda no governo Lula entre 2003 e 2006.

Vale dizer aqui que não tenho preferência alguma por partido ou ideologia política, portanto, não sou suspeito ao elogiar ou criticar os envolvidos com este ou aquele movimento.

Mas vamos ao que interessa. O livro tem linguagem simples, escrito para o público geral, e não necessariamente aos familiarizados com os termos de economia. Não é extenso (254 páginas), e sua leitura não requer maiores esforços. Em suma, flui tranquilamente.

O mais interessante da obra é a visão interna das atitudes tomadas por Palocci e pelos demais membros dos órgãos interferentes na política econômica brasileira, como Banco Central e Presidência da República. Descreve com entusiasmo as ações que resultaram na queda do dólar, então cotado a 3,52 reais, da inflação, que atingia absurdos 12,53 %, e do risco país, a 1435 pontos. Também chama a atenção, dado o costume que se propaga neste país de difamação de adversários políticos, o fato de Antônio creditar parte do sucesso na política econômica do primeiro governo Lula à transição calma entre os mandatos, com total apoio da equipe econômica de Fernando Henrique Cardoso.

Aos que se perguntaram sobre isso: não, ele não deixa de mencionar os escândalos do governo que envolveram seu nome, e culminaram com o abandono do cargo. Também não deixa de reconhecer as falhas cometidas no desempenho de seu papel. No geral, o discurso é equilibrado, e não auto-promotor.

Embora escrito em 2007, não deixa de ser atual. Em seu final, Palocci faz uma breve análise de como, a seu ver, deve ser tratada a política econômica para que o Brasil atinja o merecido lugar que lhe cabe no contexto internacional.

Recomendo fortemente este livro para todos que pretendem entender não só a importante posição ocupada, agora, pela oitava maior economia do planeta, mas também o porquê, em terras tupiniquins, a crise de 2008-2009 (que se propaga agora em 2010 pela Europa) foi apenas uma ‘marolinha’, e não uma ‘tsunami’.

Afinal, é ano de eleição, e ficar atento às propostas dos candidatos para a política econômica brasileira é estar exercendo nossa cidadania. Somos co-responsáveis pelo futuro que virá. Não basta cobrar, devemos atuar. Isso se faz fundamental para o status (positivo ou não) que iremos atingir em breve. E, para que isso aconteça, nada mal saber um pouquinho sobre economia, mesmo que o máximo que você tenha feito nos últimos anos tenha sido guardar alguns trocados na poupança. De toda forma, fica a dica.

Um abraço, e boa leitura!

O livro: Sobre Formigas e Cigarras. Antônio Palocci. Objetiva, 2007.

Lendo no momento: Pequeno tratado das grandes virtudes. André Comte-Sponville. Martins Fontes, 2009.

2 comentários:

  1. Me arrisco sim dizer: o que seria de qualquer área sem a economia? [...]

    Guardei essa sua indicação na primeira página da minha agenda, ainda não tive tempo de vasculhar a livraria devido aos sempre conturbados fins de semestres, mas agora, nessa pseudo-férias em que me encontro quero muito lê-lo. Dai volto aqui e emito meus decentes comentários!

    SUCESSO, JAY!

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  2. Economy is much more than making the ends meet and learning about it is the first step to understand why things, sometimes, get so difficult (financially speaking), for us. It's important to know that in this matter, nothing should be considered isolatedly. On the contrary, all steps taken have a motive and for sure, a consequence. It might not be immediate, but it will come. So, let's pray to God, to the Angels, to any kind of spiritual power, to illuminate us to choose a good president!
    And do not forget that engineers have the power to modify the economy!

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