Pesquisar este blog

sábado, 31 de julho de 2010

Pequeno Tratado das Grandes Virtudes - A polidez

“A polidez faz pouco caso da moral, e a moral da polidez. Um nazista polido em que altera o nazismo? Em que altera o horror? Em nada, é claro, e a polidez está bem caracterizada por esse nada. Virtude puramente formal, virtude de etiqueta, virtude de aparato! A aparência, pois, de uma virtude, e somente a aparência.” (A. C.-S. – Pequeno Tratado das Grandes Virtudes).

Dentre os capítulos que li até o momento, o da polidez foi o mais claro e ilustrativo. Pequenas passagens tornam simples a idéia adotada pelo autor.

Sponville consegue sintetizar em parte de um parágrafo (acima citado) o porquê de não considerar a polidez essencialmente uma virtude. As virtudes, em si, visam à promoção do bem, da moral. Existem canalhas polidos? Sem dúvida, existem. Logo, a polidez nada mais é que uma imitação de uma virtude, ou a preparação para ela.

Para o autor, ela muda com a idade, “se não de natureza, pelo menos de alcance”. Ela leva, aos poucos, ao comportamento moral. Dessa forma, faz-se necessário que seja ensinada às crianças, pois, se bem cultivada, resulta ao menos em um adulto bem-educado.

Resta alguma dúvida sobre sua importância na formação de uma boa pessoa? Penso que não. Sim, é fato que a polidez pode ser usada de forma incorreta, com segundas intenções. Cabe apenas o discernimento do indivíduo quanto ao seu bom ou mau uso. Vejam, já estamos falando de moral. Não há como ignorarmos sua influência na formação dos valores humanos. Faltando com a polidez, mesmo cultivadas as demais virtudes, podemos ser mal interpretados, até mesmo ignorados. A polidez é essencial para o estabelecimento da comunicação (pelo menos quando feita de boa vontade), necessária ao crescimento e ao amadurecimento pessoal.

Em outra esfera, pode-se dizer que a polidez é uma ferramenta capaz de promover o crescimento do indivíduo em direção às demais virtudes. Sendo polido, parece-me muito mais fácil tornar-se generoso, humilde, tolerante, puro...

Contudo, Sponville deixa claro que, por não ser uma virtude, não é essencial em termos morais. “É melhor ser honesto demais para ser polido do que polido demais para ser honesto!”

Tenho de concordar com ele. Aliás, boa frase em época de campanha eleitoral. Estamos prestes a termos overdoses diárias de polidez em rede nacional, em detrimento à boa e pura honestidade. Paciência!

Um abraço, e boa leitura.

O livro: Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. André Comte-Sponville. Martins Fontes, 2009.

Lendo no momento: A Arte da Felicidade - Um Manual para a Vida. Sua Santidade, o Dalai Lama e Howard C. Cutler. Martins Fontes, 2003.

sábado, 17 de julho de 2010

Pequeno Tratado das Grandes Virtudes


Olá meus amigos leitores! Perdão àqueles que acessaram o blog em busca de algo novo, mas não encontraram. Estava até a pouco em fase de organização e de adaptação à minha nova “casa”. O que importa é que agora está tudo certo, e posso voltar a escrever com frequência.
Na verdade, este post será o primeiro de uma série de...muitos. Dezoito, talvez.
O livro em questão, do francês André Comte-Sponville, será a temática daqui para frente, por algum tempinho. Explico: o Pequeno Tratado das Grandes Virtudes divide-se em dezoito capítulos, partindo da polidez (que, segundo André, ainda não é uma virtude) e terminando no amor (este, que já não é mais virtude). Cada capítulo trata de uma das virtudes que ele considera essenciais, e que nos faltam.
Quando me recomendaram este livro, não hesitei em comprá-lo. Ora, o que melhor para nós, exploradores em busca da verdade, e defensores da evolução humana, do que um livro acerca das virtudes? Virtuosidade, no sentido de assim sermos, é o melhor exemplo para sua difusão. É importante ferramenta na construção de um mundo melhor, justo e humano.
Hoje, não escreverei sobre nenhuma delas. Cabe a este texto apenas a introdução do que virá daqui pra frente. Até porque, ao idealizar este espaço, optei por não escrever textos demasiado longos, de leitura “cansativa”. Então, hoje apenas enumero sobre o que tratarão os próximos. O desenrolar deixo a cargo dos leitores. Se acharem que devo, em meio aos 18 textos, escrever algo diferente, avisem. Livros para comentar não faltam.
Para que saibam, os capítulos do livro são expostos numa dada sequência: polidez, fidelidade, prudência, temperança, coragem, justiça, generosidade, compaixão, misericórdia, gratidão, humildade, simplicidade, tolerância, pureza, doçura, boa-fé, humor e amor.
Não terminei de ler a obra, dada a densidade característica dos textos filosóficos. Muitas vezes necessitam que se leiam duas ou três vezes uma sentença, para a boa compreensão. Contudo, o esforço tem validade.
Por hora, creio que seja isso. Assim que possível, teremos um novo texto, tratando do valor que, talvez, seja a origem de todas as outras virtudes – a polidez.
Um abraço, e boa leitura!
---
O livro: Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. André Comte-Sponville. Martins Fontes, 2009.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Sobre Formigas e Cigarras

Aos que me conhecem, ou aos minimamente atenciosos aos detalhes do blog (como o título deste!), não é segredo que sou estudante de Engenharia (Química). Pois bem. Como todo ser vivente interessado ao que acontece ao seu redor, busco aprender sobre outras coisas que não aquelas pelas quais sou bombardeado incansavelmente no cotidiano acadêmico (e a criação deste blog é reflexo direto desta minha opção), tenham elas relação ou não com minha (futura, porém próxima) profissão.

Dentre estas diversas coisas posso citar, como breves e comuns exemplos, música e religião, esta mais atrelada a seu caráter espiritual do que doutrinário.

Dentro deste contexto de pluralidade de interesses como caminho para o crescimento pessoal e coletivo, surgiu a escolha do tema deste post: economia. Mais precisamente, economia brasileira contemporânea. Confesso que esta área muito me interessa, até mesmo fascina, embora seja ainda um simples admirador e praticamente leigo no assunto. Afinal, o que seria da Engenharia sem a Economia? Arrisco ao dizer: nada!

Nesta busca por conhecimento, surgiu em uma dessas ‘prateleiras-de-livraria-de-cada-dia’, de forma extremamente acessível (economia não só no tema, mas também para o meu bolso) o livro ‘Sobre Formigas e Cigarras’, de Antônio Palocci. Médico, ex-prefeito de Ribeirão Preto e deputado federal (atualmente, inclusive), Palocci foi Ministro da Fazenda no governo Lula entre 2003 e 2006.

Vale dizer aqui que não tenho preferência alguma por partido ou ideologia política, portanto, não sou suspeito ao elogiar ou criticar os envolvidos com este ou aquele movimento.

Mas vamos ao que interessa. O livro tem linguagem simples, escrito para o público geral, e não necessariamente aos familiarizados com os termos de economia. Não é extenso (254 páginas), e sua leitura não requer maiores esforços. Em suma, flui tranquilamente.

O mais interessante da obra é a visão interna das atitudes tomadas por Palocci e pelos demais membros dos órgãos interferentes na política econômica brasileira, como Banco Central e Presidência da República. Descreve com entusiasmo as ações que resultaram na queda do dólar, então cotado a 3,52 reais, da inflação, que atingia absurdos 12,53 %, e do risco país, a 1435 pontos. Também chama a atenção, dado o costume que se propaga neste país de difamação de adversários políticos, o fato de Antônio creditar parte do sucesso na política econômica do primeiro governo Lula à transição calma entre os mandatos, com total apoio da equipe econômica de Fernando Henrique Cardoso.

Aos que se perguntaram sobre isso: não, ele não deixa de mencionar os escândalos do governo que envolveram seu nome, e culminaram com o abandono do cargo. Também não deixa de reconhecer as falhas cometidas no desempenho de seu papel. No geral, o discurso é equilibrado, e não auto-promotor.

Embora escrito em 2007, não deixa de ser atual. Em seu final, Palocci faz uma breve análise de como, a seu ver, deve ser tratada a política econômica para que o Brasil atinja o merecido lugar que lhe cabe no contexto internacional.

Recomendo fortemente este livro para todos que pretendem entender não só a importante posição ocupada, agora, pela oitava maior economia do planeta, mas também o porquê, em terras tupiniquins, a crise de 2008-2009 (que se propaga agora em 2010 pela Europa) foi apenas uma ‘marolinha’, e não uma ‘tsunami’.

Afinal, é ano de eleição, e ficar atento às propostas dos candidatos para a política econômica brasileira é estar exercendo nossa cidadania. Somos co-responsáveis pelo futuro que virá. Não basta cobrar, devemos atuar. Isso se faz fundamental para o status (positivo ou não) que iremos atingir em breve. E, para que isso aconteça, nada mal saber um pouquinho sobre economia, mesmo que o máximo que você tenha feito nos últimos anos tenha sido guardar alguns trocados na poupança. De toda forma, fica a dica.

Um abraço, e boa leitura!

O livro: Sobre Formigas e Cigarras. Antônio Palocci. Objetiva, 2007.

Lendo no momento: Pequeno tratado das grandes virtudes. André Comte-Sponville. Martins Fontes, 2009.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Aos leitores

Olá pessoal!
Escrevo rapidamente para comunicar que nesta e na próxima semana não poderei postar nenhum novo texto.
Pelo menos não até a próxima quinta-feira. É questão de "sobrevivência" acadêmica. Várias provas, e exames finais, para estudar.
Sinto muito. Sem dúvida alguma, se pudesse escolher, estaria escrevendo.
Mas, até o final da próxima semana, já teremos um texto novinho!

Um grande abraço!