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sábado, 26 de junho de 2010

Como vejo o mundo

A primeira impressão ao deparar-me com a face de Einstein na capa daquele livro, em tons de vermelho (ou seria laranja?), foi de que ele não era apenas a figura caricata retratada comumente com os cabelos estabanados e com a língua de fora. Seu semblante transmite, ao invés disso, uma versão mais fiel de quem ele realmente foi. Serenidade e seriedade evidentes, mesmo que com um tom de preocupação. Foi o que me fez resgatá-lo do ambiente empoeirado daquele sebo.

Foi muito mais que o 'simples' criador da teoria da relatividade. Judeu, pacifista, mais ‘humano’ que ‘físico’. Foi um ótimo exemplo para aquilo que tomo como idéia de uma pessoa completa, que consegue transpor os limites que a vida tende a impor.

Convivendo no ambiente universitário tenho a idéia de que o ensino tecnicista e cientificista, ao invés de nos libertar, nos torna automatizados, robóticos. Percebo esta transformação ao ver que as pessoas têm mais facilidade em resolver um problema envolvendo cálculo diferencial e integral avançado do que em conversar sobre si mesmas. Chega-se ao ponto de suar frio para discorrer sobre sua vida, coisa que não acontece ao se resolver uma prova de reatores heterogêneos. Dimensiona-se uma indústria inteira, mas não se tem noção do valor de mercado do produto que ela irá vender. Principalmente, se esquece de que toda essa estrutura será movimentada por pessoas.

Afinal, quais são os valores que estamos considerando importantes, cultivando? Para atingir o status de gênio, Einstein não abriu mão dos seus; não deixou-se ‘diminuir’ a uma ‘máquina’, vazia de sentimentos. Defendeu sempre seus ideais, lutou contra o uso da energia nuclear para fins bélicos, se importou com as questões sociais, políticas e econômicas do mundo que o cercava...

Albert era mais que gênio: era sábio. Isso porque não era alheio ao que lhe cercava. Livrou-se do cabresto assim que tentaram fazê-lo usá-lo. Tomando as palavras da contra-capa do livro: “sem a liberdade de SER e agir, o homem – por mais que conheça e possua – não é nada.”

A leitura de Como Vejo o Mundo, de Albert Einstein, é a oportunidade de sabermos como esse grande sábio pensava, que valores cultivava. É o guia de um homem completo.

Confesso, sim, que uma pequena parte do livro, que trata brevemente sobre a teoria da relatividade e outras coisas relacionadas à fisica, torna-se entediante àqueles não interessados nisso. No mais, é uma ótima obra.

Enfim, espero, com essa dica, despertar o interesse de meus colegas de profissão (e demais pessoas) para o mundo à nossa volta. Não somos apenas números, equações e metodologias. Somos seres imperfeitos, sim, à procura do aprendizado. Vivemos em um mundo onde muito mais importante que um título ou graduação, é saber sorrir, dizer ‘bom dia’, ‘por favor’ e ‘muito obrigado’. A leitura é, junto com o diálogo, a melhor maneira de se aprender sobre a ‘Escola da Vida’. Fiquemos atentos ao Universo como um todo, pois nele estão todas as respostas para as perguntas que movimentam o mundo.

Jamais percamos a nossa liberdade de ser e, por consequência, a de agir. Ser como um todo. Agir pelo bem comum.

Busquemos o conhecimento universal. Saber ‘de tudo um pouco’ é o segredo, pois tudo está interligado. Nada é absoluto.


Um abraço, e boa leitura.

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O livro: Como Vejo o Mundo. Albert Einstein. Nova Fronteira, 1953.

Lendo no momento: Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. André Comte-Sponville. Martins Fontes, 2009.

sábado, 19 de junho de 2010

O Massacre (da dignidade humana)


Ainda não estou convicto de qual seria a melhor forma para definir Deus. Indefinível, talvez. Estou convicto de sua existência, sim, mas em processo de construção de uma idéia fixa, definitiva, que satisfaça minhas questões existenciais. O que posso afirmar é que não sou “religioso”, mas sim espiritual. Apesar disso, agradeço a Ele diariamente pela fortuna de ter nascido em um ambiente que permitiu meu crescimento pessoal e, sobretudo, a sobrevivência. Mesmo com todas as dificuldades comuns aos homens (brasileiros, em especial), estou a anos-luz da infeliz marginalidade social a que é submetida grande parte da população. Falo isso após ter lido uma breve descrição do conflito ocorrido em Eldorado do Carajás, no Pará, em 17 de abril de 1996. Independentemente de quem tenham sido os culpados, responsáveis, ou realmente o estopim do conflito (deixo isso a cargo de quem for ler esta obra). A condição de miséria, a manifestação da pobreza pela sua pior face, aliadas a questões culturais, fazem com que o ser humano permita desaflorarem seus mais selvagens instintos. Não é apenas questão de educação. De que adianta um livro a alguém de estômago vazio? A satisfação das necessidades da alma estão sim aliadas às fisiológicas. Da mesma forma, o lado militar do conflito é o reflexo da má remuneração e do despreparo psicológico das instituições reguladoras da ordem civil. Dê uma arma a um policial, e ele fará dessa uma ferramenta para colocar um prato de feijão e arroz na mesa para seus filhos. Se não nas formas legais, que sejam nas ilegais. Essa é a triste realidade. Deixo claro que sou apartidário, mas ao tomar conhecimento de histórias como a relatada em “O Massacre – Eldorado do Carajás: uma história de impunidade”, de Eric Nepomuceno, vejo a importância das políticas sociais, tão profundamente criticadas nessas épocas eleitorais. Sim, como em todas as situações, há quem tire proveito disso tudo, mas deixemos a cargo de suas consciências. Para nós, privilegiados, é uma questão da quantidade de dígitos que elas representam no orçamento do governo. Para os miseráveis, até então sem oportunidades, é questão de sobrevivência. É remediação de conflitos como o de Eldorado. É estímulo para seguir adiante. Não sejamos egoístas. Fico mais feliz em ver meus impostos convertidos em cestas-básicas que em passagens aéreas para deputados e senadores. Enfim, para aqueles que querem entender um pouco mais sobre a história recente brasileira, é um bom livro. Sobretudo àqueles que, como eu, tiveram a oportunidade de nascer em um lugar onde um prato de comida jamais foi uma dúvida, e tem incutida (felizmente, já não tenho mais) em sua mente a idéia de que a pobreza é apenas uma questão de opção, e não de destino.

Deus permita que disseminemos a verdade, sempre em busca da propagação do bem.

E façamos do conhecimento a nossa arma contra a impunidade, levando-o aonde muitas vezes a única coisa que chega é a esperança (muitas vezes acompanhada da incerteza).

Faça caridade. Ajude os menos favorecidos. Cobre de seus representantes. É o caminho para construírmos um mundo melhor.

Um abraço, e boa leitura.

O Livro: O Massacre – Eldorado do Carajás: uma história de impunidade. Eric Nepomuceno. Planeta, 2007.


Lendo no momento: Uma vida com Karol – Memórias do secretário particular de João Paulo II. Cardeal Stanislaw Dziwisz, em conjunto com Gian Franco Svidercoschi. Objetiva, 2007.

sábado, 5 de junho de 2010

No princípio...

"No princípio era o verbo..."
Não, não é clichê. Também não sou religioso no sentido convencional da palavra, mas é uma grande frase.
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por meio dele" (João 1:1-3).
Por meio dele, do verbo. Imagino que, talvez, a conotação dada por João não seja a mesma a que me refiro. Enfim, a interpretação é livre, e farei uso desse direito. Ao assistir, ontem, um filme intitulado "O Livro de Eli", pensei melhor sobre algo de que há muito estou convicto: as palavras têm poder. Não palavras bíblicas, necessariamente, como traz o filme, mas a forma como todas as palavras são usadas. As grandes massas são controladas por palavras (e armas). Nossas mentes são moldadas por palavras. E para que não façamos parte dos imensos grupos facilmente controlados por elas, é necessário que aprendamos a utilizá-las. Não como instrumento de controle, mas como instrumento de aprendizado em si. Ler, interpretar, assimilar. Essa é a principal "arma" daqueles que buscam o bom combate.
Não tenho prática alguma em escrever. Essa é a minha primeira tentativa. Mas é a forma que encontrei para deixar de ser passivo, e realmente agir em favor daquilo que acredito.
Sempre que encontrar algo interessante, ler alguma coisa diferente, e achar que pode ajudar alguém, estimular a leitura, postarei aqui. Se uma pessoa sequer ler, já terá valido a pena. Decidi empunhar e difundir a "arma".

Um abraço.