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domingo, 5 de dezembro de 2010

Fora de órbita

“Acordei na sexta-feira e, como o universo está em expansão, levei mais tempo do que o habitual para achar o meu roupão.”
Confesso que jamais havia lido algo sequer escrito por Woody Allen. Eis que, devido à ótima promoção que retornou às Livrarias Curitiba (Catarinense e Porto), lá estava uma ótima oportunidade de experimentar. A capa era bonita, simples. Aceitei o convite.
A frase acima, do texto que dá nome ao livro, foi suficiente para que eu resolvesse investir R$ 9,90 em uma nova “amizade”. Vamos lá Woody, quero ver se você faz jus à fama...
Iniciada a brincadeira, não demorou muito para que lesse as 213 páginas, divididas em 18 contos recheados de um humor peculiar e inesperado, amparado por um vocabulário extremamente rico. Em certos momentos me fez lembrar Luís Fernando Veríssimo, porém um pouco mais nonsense.
Conheço quem não goste de seu estilo (sei inclusive que você irá ler esse post!). Minha opinião? Não estou apto a dá-la, ainda, pois é o único trabalho dele que conheço. Mas devo dizer que gostei muito deste. Até mesmo peguei-me rindo em alguns momentos.
A encadernação e a qualidade do material também são ótimas.
Mostrou-se uma bela companhia durante as mais de 4 horas esperando por uma conexão para Concórdia, em um feriado desses.
Além de tudo, para quem tiver como ir à livraria que citei, talvez ainda o encontre por lá. Confira e veja se vale a compra. Para mim valeu!

Abraços, e boa leitura!
O livro: Fora de órbita. Woody Allen. Agir, 2007.

sábado, 6 de novembro de 2010

A Garota das Laranjas

“Muitas vezes eu tentei me imaginar aí no futuro, mas nunca consegui ter uma idéia nem mesmo aproximada de você agora, na sua vida atual. A única coisa que sei é quem você é. Só isso. Talvez tenha doze ou catorze anos, e eu, o seu pai, há muito estou fora do tempo.”

Pros fãs de Jostein Gaarder devido às suas abordagens filosóficas, uma má notícia: ‘A Garota das Laranjas’ não tem filosofia. Quer dizer... não na conotação normalmente dada à palavra, afinal não há nada sem filosofia. Mas, passa longe do que representa O Mundo de Sofia na história da literatura contemporânea, como chave de ignição dos jovens na filosofia.

De toda forma, também está longe de ser um livro ruim. Sua leitura é agradável, embora um dos personagens principais tenha uma mente excessivamente criativa e rápida, conduzindo os monólogos mentais de uma forma frenética e estranha. Nestas horas deve-se tomar cuidado para não esquecer de que se está lendo um livro, e acabar viajando junto. Pode ser que não tenha volta a sua viagem, e assim não há como terminar de ler a estória.

Brincadeiras à parte, vamos lá! O livro é narrado por duas pessoas – pai e filho – porém em tempos diferentes. O pai, Jan Olav, há alguns anos já morreu, e é só uma vaga lembrança na cabeça de seu filho Georg. Consciente do breve fim de sua existência, Jan Olav deixa ao filho uma carta onde relata episódios ocorridos entre ele e a ‘Garota das Laranjas’. Trata, sobretudo, de amor, mesmo parecendo um tanto mórbido no início. A idéia de ‘conversar’ com o pai já morto causa certa estranheza a Georg, e creio que com razão.

Ao chegar na metade do livro, mais ou menos, achei que o final já estava desvendado. Em parte realmente estava (descobri quem era a garota... tá, não foi difícil). Mas é aí que mora a genialidade do senhor Jostein. Obviamente, não vou contar o que é, pois o objetivo do blog é estimular a leitura. Mas posso dizer que ele consegue surpreender o leitor. Não é nada extraordinário, mas ficou bom.

A leitura é bem tranquila, aprazível. O livro não é longo, 132 páginas, e pode ser um bom presente. Deixando de lado a parte romântica, creio que o autor buscou instigar o pensamento sobre a fragilidade e a volatilidade da vida. Hoje se está aqui, amanhã não se sabe. Se puder saber, ao menos escreva uma carta para quem você ama.

Boa leitura!
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O livro: A Garota das Laranjas. Jostein Gaarder. Cia. das Letras, 2007.

domingo, 26 de setembro de 2010

Pequeno Tratado das Grandes Virtudes - A fidelidade

Por que só amaríamos uma pessoa? Por que só desejaríamos uma pessoa? Ser fiel às suas idéias não é (felizmente!) ter uma só idéia; nem ser fiel em amizade supõe que tenhamos um só amigo. Fidelidade, nesses domínios, não é exclusividade. Por que deveria ser diferente no amor? Em nome do que poderíamos pretender o desfrute exclusivo do outro? É possível que isso seja mais cômodo ou mais seguro, mais fácil de viver, talvez, no fim das contas, mais feliz, e, enquanto houver amor, até acredito que seja. Mas nem a moral nem o amor parecem-me estar presos a isso por princípio. Cabe a cada um escolher, de acordo com sua força ou com suas fraquezas. A cada um, ou antes a cada casal: a verdade é valor mais elevado do que a exclusividade, e o amor me parece menos traído pelo amor (pelo outro amor) do que pela mentira.” (A. C.-S. – Pequeno Tratado das Grandes Virtudes)

Nesta longa jornada de escrever sobre uma das obras de Sponville, retomo talvez com uma das mais polêmicas abordagens – a fidelidade. Nas diversas situações relacionadas à fidelidade somos levados a pensar: fiel a quê, ou fiel a quem? Ser fiel ao companheiro, ao amigo...ou ser fiel à sua (ou à minha, como queira) vontade? Sim, pois se tal dúvida faz-se presente, é porque as opções de “ação” existentes não são para um fim comum. Aliás, sempre que a fidelidade está em voga, é porque há a possibilidade de traição de um ideal ou da confiança de alguém que se estima. E relacionamento conjugal é apenas uma das situações.
André cita que não há pensamento sem memória, ou seja, não há pensamento sem fidelidade, pois para pensar é preciso não apenas lembrar, mas querer lembrar. Pois então, é a fidelidade virtude de exercício constante, de fundamental importância para que possamos definir nosso caráter. E, por que, mesmo assim, mesmo com demasiada prática em lidar com a fidelidade, estamos sujeitos a difíceis decisões quanto às nossas escolhas?
Talvez porque somos novos a cada dia; talvez porque somos inconstantes; quem sabe, porque agimos com base no momento, e não embasados em uma análise ampla das situações.
De todo modo, estamos sempre sujeitos à inconstância. Penso que o ser humano é o mais imprevisível dos animais. E ainda se fala em racionalidade...
Enfim, da mesma forma que a compreensão e a busca por um denominador comum em relação à fidelidade são difíceis, é difícil de minha parte alimentar tal discussão. Faltam idéias, faltam experiências, falta inspiração. Falta tempo. Sobra sono.
Mesmo assim, prefiro algumas poucas linhas à não manifestação de opinião. Peço aos eventuais leitores suas importantes opiniões. Vá em frente: comente.
Um grande abraço, e boa leitura!
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O livro: Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. André Comte-Sponville. Martins Fontes, 2009.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Vale da Morte: o Contestado visto e sentido


“Enquanto os corpos jaziam sobre o leito gelado do rio, suas águas correntes faziam a limpeza das vísceras, o caldo vermelho seguia por quilômetros e todos podiam saber, pelo sangue na água, que muitos estavam morrendo em Santa Maria. Há quem diga não ser o Contestado uma Guerra.”
Mais que isso: há quem não saiba da existência da Guerra do Contestado! Por este motivo interrompo a sequência das postagens relativas ao Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. É o mínimo que posso fazer pela memória dos caboclos e soldados que deram suas vidas neste conflito. É pouco, sim, mas é algo.
Imensa foi a felicidade ao deparar-me com o pacote sobre a mesa de meu quarto, há alguns dias, cujo remetente indicava o nome do caríssimo Nilson Cesar Fraga. Inesgotável estudioso da Questão do Contestado, Nilson é geógrafo, Doutor em Meio Ambiente e Desenvolvimento. Tive o prazer de trocar com ele algumas palavras, certo dia, pelos corredores da Universidade Federal do Paraná.
Apaixonado (porém ainda aprendiz) que sou pela história de minha terra, não pude esperar. Em poucos dias devorei-o. Vale da Morte: o Contestado visto e sentido – “Entre a cruz de Santa Catarina e a espada do Paraná” é o seu título. São relatos de viagens feitas pelo autor (com seus alunos e amigos) por todo o território outrora chamado de Contestado. Posso descrevê-lo como uma sequência de surpresas. Seja pelas revelações quanto à grandiosidade do conflito, seja pelo espanto de descobrir o quão pouco sei sobre a Guerra, mesmo que tenha começado a ler sobre ela lá pelos meus 13 anos de idade.
A habilidade do autor em descrever as situações e cenários faz com que nos sintamos como parte do acontecimento. Mais que simples acontecimentos, narram-se aventuras. Com linguagem direta, embora não menos graciosa, Nilson proporciona o acesso popular à leitura, diferentemente de grande parte das obras sobre o Contestado, de cunho acadêmico. É como que um reflexo do homem do Contestado: simples, porém “grande”.  
O livro é uma boa opção àqueles que querem entender superficialmente o conflito, os motivos que o provocaram e, sobretudo, o espaço onde este ocorreu. O breve conhecimento da questão facilita a compreensão dos fatos narrados; caso contrário, ao final da obra tem-se um capítulo dedicado à sua explicação.
Não posso deixar de elogiar a capa. Confesso, uma das mais belas que vi, talvez por meu fascínio pelo esplendor da Araucária. Aliás, árvore esta um dos principais personagens da Guerra. Por quê? O livro vos explicará...
Vale da Morte não é apenas um livro. É um esforço em prol da memória da Guerra do Contestado, um dos mais intensos conflitos ocorridos no Brasil, mas muitas vezes omitido de nossos livros didáticos, ou subjugados em importância e abrangência.
Como dizem as sábias palavras de nosso querido Vicente Telles, “o Contestado é a voz do passado falando ao presente, alertando o futuro.” Atendamos ao alerta, como Nilson o tem feito.
 Um abraço, e boa leitura.
P.S.: Aos que se interessarem, o autor possui um site onde estão listadas suas obras, inclusive contando um pouco sobre este livro. http://www.nilsonfraga.com.br/

sábado, 31 de julho de 2010

Pequeno Tratado das Grandes Virtudes - A polidez

“A polidez faz pouco caso da moral, e a moral da polidez. Um nazista polido em que altera o nazismo? Em que altera o horror? Em nada, é claro, e a polidez está bem caracterizada por esse nada. Virtude puramente formal, virtude de etiqueta, virtude de aparato! A aparência, pois, de uma virtude, e somente a aparência.” (A. C.-S. – Pequeno Tratado das Grandes Virtudes).

Dentre os capítulos que li até o momento, o da polidez foi o mais claro e ilustrativo. Pequenas passagens tornam simples a idéia adotada pelo autor.

Sponville consegue sintetizar em parte de um parágrafo (acima citado) o porquê de não considerar a polidez essencialmente uma virtude. As virtudes, em si, visam à promoção do bem, da moral. Existem canalhas polidos? Sem dúvida, existem. Logo, a polidez nada mais é que uma imitação de uma virtude, ou a preparação para ela.

Para o autor, ela muda com a idade, “se não de natureza, pelo menos de alcance”. Ela leva, aos poucos, ao comportamento moral. Dessa forma, faz-se necessário que seja ensinada às crianças, pois, se bem cultivada, resulta ao menos em um adulto bem-educado.

Resta alguma dúvida sobre sua importância na formação de uma boa pessoa? Penso que não. Sim, é fato que a polidez pode ser usada de forma incorreta, com segundas intenções. Cabe apenas o discernimento do indivíduo quanto ao seu bom ou mau uso. Vejam, já estamos falando de moral. Não há como ignorarmos sua influência na formação dos valores humanos. Faltando com a polidez, mesmo cultivadas as demais virtudes, podemos ser mal interpretados, até mesmo ignorados. A polidez é essencial para o estabelecimento da comunicação (pelo menos quando feita de boa vontade), necessária ao crescimento e ao amadurecimento pessoal.

Em outra esfera, pode-se dizer que a polidez é uma ferramenta capaz de promover o crescimento do indivíduo em direção às demais virtudes. Sendo polido, parece-me muito mais fácil tornar-se generoso, humilde, tolerante, puro...

Contudo, Sponville deixa claro que, por não ser uma virtude, não é essencial em termos morais. “É melhor ser honesto demais para ser polido do que polido demais para ser honesto!”

Tenho de concordar com ele. Aliás, boa frase em época de campanha eleitoral. Estamos prestes a termos overdoses diárias de polidez em rede nacional, em detrimento à boa e pura honestidade. Paciência!

Um abraço, e boa leitura.

O livro: Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. André Comte-Sponville. Martins Fontes, 2009.

Lendo no momento: A Arte da Felicidade - Um Manual para a Vida. Sua Santidade, o Dalai Lama e Howard C. Cutler. Martins Fontes, 2003.

sábado, 17 de julho de 2010

Pequeno Tratado das Grandes Virtudes


Olá meus amigos leitores! Perdão àqueles que acessaram o blog em busca de algo novo, mas não encontraram. Estava até a pouco em fase de organização e de adaptação à minha nova “casa”. O que importa é que agora está tudo certo, e posso voltar a escrever com frequência.
Na verdade, este post será o primeiro de uma série de...muitos. Dezoito, talvez.
O livro em questão, do francês André Comte-Sponville, será a temática daqui para frente, por algum tempinho. Explico: o Pequeno Tratado das Grandes Virtudes divide-se em dezoito capítulos, partindo da polidez (que, segundo André, ainda não é uma virtude) e terminando no amor (este, que já não é mais virtude). Cada capítulo trata de uma das virtudes que ele considera essenciais, e que nos faltam.
Quando me recomendaram este livro, não hesitei em comprá-lo. Ora, o que melhor para nós, exploradores em busca da verdade, e defensores da evolução humana, do que um livro acerca das virtudes? Virtuosidade, no sentido de assim sermos, é o melhor exemplo para sua difusão. É importante ferramenta na construção de um mundo melhor, justo e humano.
Hoje, não escreverei sobre nenhuma delas. Cabe a este texto apenas a introdução do que virá daqui pra frente. Até porque, ao idealizar este espaço, optei por não escrever textos demasiado longos, de leitura “cansativa”. Então, hoje apenas enumero sobre o que tratarão os próximos. O desenrolar deixo a cargo dos leitores. Se acharem que devo, em meio aos 18 textos, escrever algo diferente, avisem. Livros para comentar não faltam.
Para que saibam, os capítulos do livro são expostos numa dada sequência: polidez, fidelidade, prudência, temperança, coragem, justiça, generosidade, compaixão, misericórdia, gratidão, humildade, simplicidade, tolerância, pureza, doçura, boa-fé, humor e amor.
Não terminei de ler a obra, dada a densidade característica dos textos filosóficos. Muitas vezes necessitam que se leiam duas ou três vezes uma sentença, para a boa compreensão. Contudo, o esforço tem validade.
Por hora, creio que seja isso. Assim que possível, teremos um novo texto, tratando do valor que, talvez, seja a origem de todas as outras virtudes – a polidez.
Um abraço, e boa leitura!
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O livro: Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. André Comte-Sponville. Martins Fontes, 2009.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Sobre Formigas e Cigarras

Aos que me conhecem, ou aos minimamente atenciosos aos detalhes do blog (como o título deste!), não é segredo que sou estudante de Engenharia (Química). Pois bem. Como todo ser vivente interessado ao que acontece ao seu redor, busco aprender sobre outras coisas que não aquelas pelas quais sou bombardeado incansavelmente no cotidiano acadêmico (e a criação deste blog é reflexo direto desta minha opção), tenham elas relação ou não com minha (futura, porém próxima) profissão.

Dentre estas diversas coisas posso citar, como breves e comuns exemplos, música e religião, esta mais atrelada a seu caráter espiritual do que doutrinário.

Dentro deste contexto de pluralidade de interesses como caminho para o crescimento pessoal e coletivo, surgiu a escolha do tema deste post: economia. Mais precisamente, economia brasileira contemporânea. Confesso que esta área muito me interessa, até mesmo fascina, embora seja ainda um simples admirador e praticamente leigo no assunto. Afinal, o que seria da Engenharia sem a Economia? Arrisco ao dizer: nada!

Nesta busca por conhecimento, surgiu em uma dessas ‘prateleiras-de-livraria-de-cada-dia’, de forma extremamente acessível (economia não só no tema, mas também para o meu bolso) o livro ‘Sobre Formigas e Cigarras’, de Antônio Palocci. Médico, ex-prefeito de Ribeirão Preto e deputado federal (atualmente, inclusive), Palocci foi Ministro da Fazenda no governo Lula entre 2003 e 2006.

Vale dizer aqui que não tenho preferência alguma por partido ou ideologia política, portanto, não sou suspeito ao elogiar ou criticar os envolvidos com este ou aquele movimento.

Mas vamos ao que interessa. O livro tem linguagem simples, escrito para o público geral, e não necessariamente aos familiarizados com os termos de economia. Não é extenso (254 páginas), e sua leitura não requer maiores esforços. Em suma, flui tranquilamente.

O mais interessante da obra é a visão interna das atitudes tomadas por Palocci e pelos demais membros dos órgãos interferentes na política econômica brasileira, como Banco Central e Presidência da República. Descreve com entusiasmo as ações que resultaram na queda do dólar, então cotado a 3,52 reais, da inflação, que atingia absurdos 12,53 %, e do risco país, a 1435 pontos. Também chama a atenção, dado o costume que se propaga neste país de difamação de adversários políticos, o fato de Antônio creditar parte do sucesso na política econômica do primeiro governo Lula à transição calma entre os mandatos, com total apoio da equipe econômica de Fernando Henrique Cardoso.

Aos que se perguntaram sobre isso: não, ele não deixa de mencionar os escândalos do governo que envolveram seu nome, e culminaram com o abandono do cargo. Também não deixa de reconhecer as falhas cometidas no desempenho de seu papel. No geral, o discurso é equilibrado, e não auto-promotor.

Embora escrito em 2007, não deixa de ser atual. Em seu final, Palocci faz uma breve análise de como, a seu ver, deve ser tratada a política econômica para que o Brasil atinja o merecido lugar que lhe cabe no contexto internacional.

Recomendo fortemente este livro para todos que pretendem entender não só a importante posição ocupada, agora, pela oitava maior economia do planeta, mas também o porquê, em terras tupiniquins, a crise de 2008-2009 (que se propaga agora em 2010 pela Europa) foi apenas uma ‘marolinha’, e não uma ‘tsunami’.

Afinal, é ano de eleição, e ficar atento às propostas dos candidatos para a política econômica brasileira é estar exercendo nossa cidadania. Somos co-responsáveis pelo futuro que virá. Não basta cobrar, devemos atuar. Isso se faz fundamental para o status (positivo ou não) que iremos atingir em breve. E, para que isso aconteça, nada mal saber um pouquinho sobre economia, mesmo que o máximo que você tenha feito nos últimos anos tenha sido guardar alguns trocados na poupança. De toda forma, fica a dica.

Um abraço, e boa leitura!

O livro: Sobre Formigas e Cigarras. Antônio Palocci. Objetiva, 2007.

Lendo no momento: Pequeno tratado das grandes virtudes. André Comte-Sponville. Martins Fontes, 2009.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Aos leitores

Olá pessoal!
Escrevo rapidamente para comunicar que nesta e na próxima semana não poderei postar nenhum novo texto.
Pelo menos não até a próxima quinta-feira. É questão de "sobrevivência" acadêmica. Várias provas, e exames finais, para estudar.
Sinto muito. Sem dúvida alguma, se pudesse escolher, estaria escrevendo.
Mas, até o final da próxima semana, já teremos um texto novinho!

Um grande abraço!

sábado, 26 de junho de 2010

Como vejo o mundo

A primeira impressão ao deparar-me com a face de Einstein na capa daquele livro, em tons de vermelho (ou seria laranja?), foi de que ele não era apenas a figura caricata retratada comumente com os cabelos estabanados e com a língua de fora. Seu semblante transmite, ao invés disso, uma versão mais fiel de quem ele realmente foi. Serenidade e seriedade evidentes, mesmo que com um tom de preocupação. Foi o que me fez resgatá-lo do ambiente empoeirado daquele sebo.

Foi muito mais que o 'simples' criador da teoria da relatividade. Judeu, pacifista, mais ‘humano’ que ‘físico’. Foi um ótimo exemplo para aquilo que tomo como idéia de uma pessoa completa, que consegue transpor os limites que a vida tende a impor.

Convivendo no ambiente universitário tenho a idéia de que o ensino tecnicista e cientificista, ao invés de nos libertar, nos torna automatizados, robóticos. Percebo esta transformação ao ver que as pessoas têm mais facilidade em resolver um problema envolvendo cálculo diferencial e integral avançado do que em conversar sobre si mesmas. Chega-se ao ponto de suar frio para discorrer sobre sua vida, coisa que não acontece ao se resolver uma prova de reatores heterogêneos. Dimensiona-se uma indústria inteira, mas não se tem noção do valor de mercado do produto que ela irá vender. Principalmente, se esquece de que toda essa estrutura será movimentada por pessoas.

Afinal, quais são os valores que estamos considerando importantes, cultivando? Para atingir o status de gênio, Einstein não abriu mão dos seus; não deixou-se ‘diminuir’ a uma ‘máquina’, vazia de sentimentos. Defendeu sempre seus ideais, lutou contra o uso da energia nuclear para fins bélicos, se importou com as questões sociais, políticas e econômicas do mundo que o cercava...

Albert era mais que gênio: era sábio. Isso porque não era alheio ao que lhe cercava. Livrou-se do cabresto assim que tentaram fazê-lo usá-lo. Tomando as palavras da contra-capa do livro: “sem a liberdade de SER e agir, o homem – por mais que conheça e possua – não é nada.”

A leitura de Como Vejo o Mundo, de Albert Einstein, é a oportunidade de sabermos como esse grande sábio pensava, que valores cultivava. É o guia de um homem completo.

Confesso, sim, que uma pequena parte do livro, que trata brevemente sobre a teoria da relatividade e outras coisas relacionadas à fisica, torna-se entediante àqueles não interessados nisso. No mais, é uma ótima obra.

Enfim, espero, com essa dica, despertar o interesse de meus colegas de profissão (e demais pessoas) para o mundo à nossa volta. Não somos apenas números, equações e metodologias. Somos seres imperfeitos, sim, à procura do aprendizado. Vivemos em um mundo onde muito mais importante que um título ou graduação, é saber sorrir, dizer ‘bom dia’, ‘por favor’ e ‘muito obrigado’. A leitura é, junto com o diálogo, a melhor maneira de se aprender sobre a ‘Escola da Vida’. Fiquemos atentos ao Universo como um todo, pois nele estão todas as respostas para as perguntas que movimentam o mundo.

Jamais percamos a nossa liberdade de ser e, por consequência, a de agir. Ser como um todo. Agir pelo bem comum.

Busquemos o conhecimento universal. Saber ‘de tudo um pouco’ é o segredo, pois tudo está interligado. Nada é absoluto.


Um abraço, e boa leitura.

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O livro: Como Vejo o Mundo. Albert Einstein. Nova Fronteira, 1953.

Lendo no momento: Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. André Comte-Sponville. Martins Fontes, 2009.

sábado, 19 de junho de 2010

O Massacre (da dignidade humana)


Ainda não estou convicto de qual seria a melhor forma para definir Deus. Indefinível, talvez. Estou convicto de sua existência, sim, mas em processo de construção de uma idéia fixa, definitiva, que satisfaça minhas questões existenciais. O que posso afirmar é que não sou “religioso”, mas sim espiritual. Apesar disso, agradeço a Ele diariamente pela fortuna de ter nascido em um ambiente que permitiu meu crescimento pessoal e, sobretudo, a sobrevivência. Mesmo com todas as dificuldades comuns aos homens (brasileiros, em especial), estou a anos-luz da infeliz marginalidade social a que é submetida grande parte da população. Falo isso após ter lido uma breve descrição do conflito ocorrido em Eldorado do Carajás, no Pará, em 17 de abril de 1996. Independentemente de quem tenham sido os culpados, responsáveis, ou realmente o estopim do conflito (deixo isso a cargo de quem for ler esta obra). A condição de miséria, a manifestação da pobreza pela sua pior face, aliadas a questões culturais, fazem com que o ser humano permita desaflorarem seus mais selvagens instintos. Não é apenas questão de educação. De que adianta um livro a alguém de estômago vazio? A satisfação das necessidades da alma estão sim aliadas às fisiológicas. Da mesma forma, o lado militar do conflito é o reflexo da má remuneração e do despreparo psicológico das instituições reguladoras da ordem civil. Dê uma arma a um policial, e ele fará dessa uma ferramenta para colocar um prato de feijão e arroz na mesa para seus filhos. Se não nas formas legais, que sejam nas ilegais. Essa é a triste realidade. Deixo claro que sou apartidário, mas ao tomar conhecimento de histórias como a relatada em “O Massacre – Eldorado do Carajás: uma história de impunidade”, de Eric Nepomuceno, vejo a importância das políticas sociais, tão profundamente criticadas nessas épocas eleitorais. Sim, como em todas as situações, há quem tire proveito disso tudo, mas deixemos a cargo de suas consciências. Para nós, privilegiados, é uma questão da quantidade de dígitos que elas representam no orçamento do governo. Para os miseráveis, até então sem oportunidades, é questão de sobrevivência. É remediação de conflitos como o de Eldorado. É estímulo para seguir adiante. Não sejamos egoístas. Fico mais feliz em ver meus impostos convertidos em cestas-básicas que em passagens aéreas para deputados e senadores. Enfim, para aqueles que querem entender um pouco mais sobre a história recente brasileira, é um bom livro. Sobretudo àqueles que, como eu, tiveram a oportunidade de nascer em um lugar onde um prato de comida jamais foi uma dúvida, e tem incutida (felizmente, já não tenho mais) em sua mente a idéia de que a pobreza é apenas uma questão de opção, e não de destino.

Deus permita que disseminemos a verdade, sempre em busca da propagação do bem.

E façamos do conhecimento a nossa arma contra a impunidade, levando-o aonde muitas vezes a única coisa que chega é a esperança (muitas vezes acompanhada da incerteza).

Faça caridade. Ajude os menos favorecidos. Cobre de seus representantes. É o caminho para construírmos um mundo melhor.

Um abraço, e boa leitura.

O Livro: O Massacre – Eldorado do Carajás: uma história de impunidade. Eric Nepomuceno. Planeta, 2007.


Lendo no momento: Uma vida com Karol – Memórias do secretário particular de João Paulo II. Cardeal Stanislaw Dziwisz, em conjunto com Gian Franco Svidercoschi. Objetiva, 2007.

sábado, 5 de junho de 2010

No princípio...

"No princípio era o verbo..."
Não, não é clichê. Também não sou religioso no sentido convencional da palavra, mas é uma grande frase.
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por meio dele" (João 1:1-3).
Por meio dele, do verbo. Imagino que, talvez, a conotação dada por João não seja a mesma a que me refiro. Enfim, a interpretação é livre, e farei uso desse direito. Ao assistir, ontem, um filme intitulado "O Livro de Eli", pensei melhor sobre algo de que há muito estou convicto: as palavras têm poder. Não palavras bíblicas, necessariamente, como traz o filme, mas a forma como todas as palavras são usadas. As grandes massas são controladas por palavras (e armas). Nossas mentes são moldadas por palavras. E para que não façamos parte dos imensos grupos facilmente controlados por elas, é necessário que aprendamos a utilizá-las. Não como instrumento de controle, mas como instrumento de aprendizado em si. Ler, interpretar, assimilar. Essa é a principal "arma" daqueles que buscam o bom combate.
Não tenho prática alguma em escrever. Essa é a minha primeira tentativa. Mas é a forma que encontrei para deixar de ser passivo, e realmente agir em favor daquilo que acredito.
Sempre que encontrar algo interessante, ler alguma coisa diferente, e achar que pode ajudar alguém, estimular a leitura, postarei aqui. Se uma pessoa sequer ler, já terá valido a pena. Decidi empunhar e difundir a "arma".

Um abraço.