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domingo, 27 de janeiro de 2013

Como Fazer Amigos & Influenciar Pessoas



Mais de um ano se passou sem nenhuma postagem. Pensando nisso durante a semana, lembrei das palavras de um dos grandes mestres que tive ainda na querida Escola Agrotécnica, que diziam algo do tipo: “Não deixe de escrever nele. Você irá começar a ter outras ocupações,  começar a trabalhar, e vai parecer que as outras coisas são mais importantes. O grande desafio é não deixar de fazê-lo. E acredite, cair na rotina é muito fácil. Cuidado!”

Nada melhor que a experiência, não é professor? O senhor tinha razão. Mas, como sempre é tempo, eu voltei!
E as coisas tem realmente mudado...os livros que compro hoje já são diferentes, a frequência de leitura é menor, a vida em si é diferente. Um ano é um tempo enorme.

Sendo que o que vale é a vontade, o recomeço não é menos nobre que a continuidade. Vamos tentar mais uma vez.

Durante esse ano, agora com status de “adulto”, trabalhador de carteira assinada e com inúmeras outras responsabilidades, tive a oportunidade de participar de uma série de treinamentos comportamentais, palestras e conversas com profissionais com uma bem sucedida carreira, entre outras coisas. Nesses encontros, em mais de uma oportunidade, vários deles citaram este livro como um bom começo para se aprender a lidar com pessoas nas organizações. Sempre com o mesmo alerta: é um livro antigo, escrito há mais de 70 anos, mas acreditem, ele funciona!

Se é assim, por que não tentar, não é? Saindo de um desses cursos comprei o famoso livro da capa azul, com escritos em dourado e branco: “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas – O guia clássico e definitivo para relacionar-se com as pessoas.” Estava na prateleira de auto-ajuda, mas lhes garanto que não se encaixa neste perfil.

Perceptivelmente, o linguajar é próprio da época em que foi escrito. A leitura é fácil. O autor sugere que sejam destacados os principais pontos, anotando-os, e que ao final de cada capítulo o mesmo seja relido. Diz ele, essa é a fórmula para o sucesso!
Se eu o fiz? Só no começo. Devo ter relido os primeiros capítulos. Os demais limitaram-se ao sublinhar das principais ideias.

De fato, Carnegie faz ótimas colocações. Dependendo do ponto de vista em que se analisa a obra, pode parecer uma técnica barata de manipulação. Como com uma arma de fogo, pode-se caçar um animal para saciar a fome ou se atirar em uma pessoa inocente. O uso da ferramenta é que arruma ou danifica o móvel.
Trata-se basicamente de psicologia. Leitura recomendada!

Abaixo, seguem os resumos dos capítulos, feitos pelo próprio autor ao final de cada parte.

Parte 1 – Técnicas fundamentais para lidar com as pessoas
Princípio 1: Não critique, não condene, não se queixe;
Princípio 2: Aprecie honesta e sinceramente;
Princípio 3: Desperte um forte desejo na outra pessoa.

Parte 2 – Seis maneiras de fazer as pessoas gostarem de você
Princípio 1: Torne-se verdadeiramente interessado na outra pessoa;
Princípio 2: Sorria;
Princípio 3: Lembre-se que o nome de uma pessoa é para ela o som mais doce e importante que existe em qualquer idioma;
Princípio 4: Seja um bom ouvinte. Incentive as pessoas a falarem sobre elas mesmas;
Princípio 5: Fale de coisas que interessem à outra pessoa;
Princípio 6: Faça a outra pessoa sentir-se importante e faça-o com sinceridade.

Parte 3 – Como conquistar as pessoas a pensarem do seu modo
Princípio 1: A única maneira de ganhar uma discussão é evitando-a;
Princípio 2: Respeite a opinião dos outros, nunca diga: “Você está enganado”;
Princípio 3: Se estiver errado, reconheça o seu erro rápida e enfaticamente;
Princípio 4: Comece de maneira amigável;
Princípio 5: Consiga que a outra pessoa diga “sim, sim”, imediatamente;
Princípio 6: Deixe a outra pessoa falar durante boa parte da conversa;
Princípio 7: Deixe que a outra pessoa sinta que a ideia é dela;
Princípio 8: Procure honestamente ver as coisas do ponto de vista da outra pessoa;
Princípio 9: Seja receptivo às ideias e desejos da outra pessoa;
Princípio 10: Apele para os mais nobres motivos;
Princípio 11: Dramatize as suas ideias;
Princípio 12: Lance, com tato, um desafio.

Parte 4 – Seja um líder: como mudar as pessoas sem ofendê-las nem deixá-las ressentidas
Princípio 1: Comece com um elogio ou uma apreciação sincera;
Princípio 2: Chame a atenção para os erros das pessoas de maneira indireta;
Princípio 3: Fale sobre os seus erros antes de criticar os das outras pessoas;
Princípio 4: Faça perguntas ao invés de dar ordens diretas;
Princípio 5: Permita que a pessoa salve o seu próprio prestígio;
Princípio 6: Elogie o menor progresso e elogie todo o progresso; Seja “sincero na sua apreciação e pródigo no seu elogio”;
Princípio 7: Proporcione à outra pessoa uma boa reputação para ela zelar;
Princípio 8: Empregue o incentivo. Torne o erro fácil de ser corrigido;
Princípio 9: Faça a outra pessoa sentir-se feliz realizando aquilo que você sugere.

Cada um dos princípios resume um dos capítulos do livro.

Boa leitura!

Como Fazer Amigos & Influenciar Pessoas - O guia clássico e definitivo para relacionar-se com as pessoas. Dale Carnegie. Companhia Editora Nacional. 52ª ed. São Paulo, 2012. 262 pp.


Dale Carnegie foi o autor de diversas obras que, até hoje, são empregadas em treinamentos de desenvolvimento de competências e habilidades. A Dale Carnegie Training (http://dalecarnegie.com.br/) possui diversas franquias pelo Brasil. Talvez seja uma ótima oportunidade de aprendizado para aqueles que se interessarem.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Mais um!

E lá se vai 2011! Talvez o mais importante até aqui para este mortal que vos escreve. Muitas realizações, e dentre elas a tão sonhada graduação. Além disso, uma ótima vaga de Trainee em uma ótima empresa. E como tudo tem seu preço, neste último semestre o blog ficou abandonado. Contudo, já ultrapassou os 2750 acessos, o que já é por demais gratificante. Passadas as festas e com a vida reorganizada, novas postagens virão. Espero continuar exercitando a arte de escrever e poder dar algumas dicas de leitura.

Meu muito obrigado a todos que apoiam a ideia e incentivam a leitura em todos os níveis.
Continuo acreditando nas pessoas acima de qualquer coisa, e a leitura é um importantíssimo caminho de (re)construção e crescimento.

Não esperemos um grande ano em 2012. FAÇAMOS UM GRANDE ANO!
Depende, sobretudo, de nós. Exercitemos a tolerância e o respeito à diversidade. Não nos iludamos com a eterna busca pela felicidade. Sejamos felizes agora! É só uma questão de atitude e exercício mental.

Ao invés das típicas promessas para o ano que virá, sejamos efetivamente pró-ativos! Postergar é alimentar a ilusão. Vamos viver, agora!

Um caloroso e fraterno abraço!

Mais uma vez, obrigado.

Vilson Locatelli Junior
Agora sim Engenheiro.
Sempre leitor.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Nada

Nada como a cama posta.
Me posto na cama, viro nada.
Vazio.
Escuridão.
Silêncio.

Nadar no vazio escuro e silencioso.
Ah, quanta liberdade!
Liberto no acorrentado paradoxo
de que a maior liberdade prende-se num sonho.

Sonho vazio, pleno de sentido.
Onde sente-se que o todo que se busca
em nada se resume.
Em resumo, nada somos.
Nada mais que silêncio, escuridão e vazio.

E o que precede o sonho é o futuro inevitável.
Aquilo que seremos. Aquilo que toda noite somos.
Silêncio.
No vazio da escuridão.

Só para constar...
Acho que essa minha paixão por livros não é por acaso.
Meu aniversário coincide com o Dia Nacional do Livro.

Parabéns pra nós!

Mas estou aqui para comentar outra coisa. Sei que algumas pessoas acessam com frequência o blog, e vejo isso pelo controle de acessos do Google Analytics. Para os mais fiéis, gostaria de justificar a ausência. Estou no último semestre dessa suada graduação em Engenharia Química. Nosso projeto final está muito trabalhoso, e as madrugadas têm sido reservadas para esse propósito. Logo que possível volto para falar sobre algum livro bacana. Já tenho alguns na lista...

Um abração!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A Parte Divina do Cérebro – Uma interpretação científica de Deus e da espiritualidade


Já dizia o ditado: antes tarde do que nunca. Anunciei a “tragédia” no post anterior, mas só agora consegui escrever. Bom, o que vale é que cá estamos. E lá vamos nós!

Como definiu o vencedor do Prêmio Pulitzer, Edward O. Wilson, excelente leitura. Afirmo sem sombra de dúvida que esta obra de Matthew Alper, seu primeiro livro, é daquelas capazes de influenciar naquilo que você é, ou pode vir a se tornar. Tem a capacidade de mudar uma pessoa que esteja “aberta a sugestões”. E para melhor aproveitamento do conteúdo a dica é: livre-se dos preconceitos e dogmas religiosos antes de iniciar essa rica leitura, dado o seu conteúdo crítico e o choque que pode provocar em pessoas que não estejam dispostas a descobrir ou ao menos considerar uma nova explicação para Deus.

E o “pior” de tudo (para quem não estiver disposto a levá-lo a sério) é que a obra é fruto de intenso estudo científico, com embasamento que beira o indiscutível. Ouso dizer que tais ideias em outra época seriam um passaporte para uma das fogueiras da Santa Inquisição. Bem...naquela época não haveriam ferramentas para construir tal teoria.
      
Descrevendo de uma forma breve o caminho que Alper percorreu para escrevê-lo. Aos 21 anos, já tendo estudado todas as religiões possíveis em busca de uma compreensão de Deus, estava frustrado pelas imensas falhas e inconsistências lógicas das doutrinas. Experimentou drogas psicodélicas e meditação transcendental, sem sucesso. Obteve das experiências com LSD uma profunda depressão. Curou-se com a ajuda de medicamentos. Foi aí que passou a buscar na ciência uma possível resposta para seus questionamentos.
       
Começando pela base, estudou física, que o levou à química, que por sua vez o levou à biologia e demais áreas. De forma interessantemente estratégica para o que apresenta a seguir na obra, após descrever um pouco sobre suas experiências, emprega algumas páginas para definir o que é ciência. Ainda, no que define como Livro I – Evolução da Teoria, apresenta “Uma breve história do tempo ou Tudo o que você sempre quis saber sobre o universo mas nunca teve coragem de perguntar”, e outros assuntos que se farão importantes para a compreensão do Livro II – Introdução à bioteologia.
   
Torna-se difícil uma descrição simplificada do livro, dada a riqueza de detalhes e informações que suportam a bioteologia, mas vou tentar.
     
O autor demonstra diversas situações que comprovam a existência de comportamentos universais, e as razões que levam a considerar que praticamente em todos os casos tais comportamentos são fruto de nossa programação genética. A religião, a espiritualidade e a crença em Deus(es) encaixam-se perfeitamente nestas características expostas no livro, e sua explanação detalhada e de respeitosas referências dificulta argumentações contrárias.
      
Nossa condição humana nos leva a um único fim inquestionável: a morte. Tomemos isso como verdade, mesmo que possa não ser. Tomemos também como verdade o fato de que a crença em Deus e em uma vida do lado de lá seja fruto de nossa mente, dado uma programação genética tal qual aquela que nos faz interpretar cores ou sabores. Sendo isto verdade, da mesma forma como há pessoas que não enxergam perfeitamente as cores devido a uma disfunção genética, ou o fato de que cada um de nós tem sua própria percepção da realidade, e que esta percepção é diferente para cada indivíduo, também o fato de que a tendência para desenvolver um lado espiritual, religioso ou acreditar em Deus com certa intensidade também seria variável entre os indivíduos da nossa espécie.
Pois bem. A teoria da evolução de Darwin, caso você não seja um religioso extremista fechado a qualquer pensamento bem fundado e consistente, faz pleno sentido, e é amplamente aceita. De uma forma geral, ela descreve que dada certa distribuição de características definidas geneticamente, aquelas que confiram aos indivíduos maiores possibilidades de sobrevivência consequentemente tem maiores chances de serem transferidas aos seus descendentes, e acabam “moldando” as espécies da forma como as conhecemos hoje, adaptadas ao seu meio.

Agora tomemos como exemplo indivíduos que, devido às suas características genéticas, tenham baixa propensão a acreditar em Deus ou em uma vida após a morte. Infelizmente para grande parte da população, mesmo nos dias de hoje, a morte é algo assustador, e a fé em uma vida posterior é uma forma de conforto. Imaginemos esse indivíduo de pouca fé. Se não há um propósito posterior as chances de sobrevivência deste são reduzidas, caso não possa lidar psicologicamente com a ideia de que a morte é a extinção de seu “eu”. O suicídio pode ser um caminho, reduzindo as chances de propagação de seu “gene espiritual”. Em outras palavras, a fé em Deus ou em uma vida após a morte poderia ser uma adaptação genética, propagada através das gerações, pois aumentaria a probabilidade de sobrevivência da espécie.
             
E o que tenho que admitir é que o livro, escrito de uma forma simples e acessível, traz provas suficientes para acreditarmos na bioteologia. Quer dizer...suficientes para mim. Talvez eu esteja entre aqueles onde a parte espiritual genética não seja tão desenvolvida, e consiga aceitar bem tais ideias. De uma forma ou de outra, a leitura é válida e muito interessante, sobretudo àqueles de “espírito” irrequieto, em busca de respostas ou de um caminho para a compreensão de si mesmos.
      
Dei um grande passo com este livro. Espero que possa ajudar alguém mais. Altamente recomendado. Mas, como disse no início, leia sem preconceitos.

Boa leitura!

O livro: A Parte Divina do Cérebro – Uma interpretação científica de Deus e da espiritualidade. Matthew Alper. Rio de Janeiro: BestSeller, 2008.  

Lendo no momento: Guia politicamente incorreto da história do Brasil. Leandro Narloch.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Vem por aí...

Nas últimas semanas iniciei a leitura de um livro chamado "A Parte Divina do Cérebro". Há meses, senão anos (uns dois, talvez), ele estava em minha prateleira, convidativo. Pretendo finalizá-lo em breve, e então escrever um post.
Mas não consigo me conter para dividir a experiência, uma vez que tem sido única. Vou arriscar, mesmo antes de terminar de lê-lo: um dos melhores livros que já passaram por minhas mãos. Não é romance, não é ficção. Trata-se do trabalho de uma vida; o "compêndio" das experiências de um homem em busca da "verdade" sobre o divino.
Por hora não vou me ater a seu conteúdo específico. Isso fica para um próximo momento, em breve.
Para dar uma pequena idéia do quê se trata, tomei a liberdade de copiar a página que fala do autor. Espero não ser processado por plágio. :P Os devidos créditos vão ao final.

"Quando, ainda na infância, percebeu que um dia morreria, Matthew Alper iniciou a jornada de uma vida para descobrir se existe ou não uma realidade espiritual, se existe um Deus. Era ele meramente um mortal de carne e osso, ou algo mais que, talvez, transcendesse as restrições de sua frágil e efêmera existência física? Depois de graduar-se em Filosofia, Matthew continuou sua busca enquanto trabalhava, exercendo várias funções, de fotógrafo-assistente na cidade de Nova York a professor de história para alunos de ensino fundamental e médio num curso do Brooklyn, de contrabandista de caminhões na África central a roteirista de filmes na Alemanha. Então, voltou para Nova York, onde escreveu The "God" Part of the Brain, que considera a obra de sua vida. Desde a primeira publicação do livro, em 1996, Matthew ministra palestras por todos os Estados Unidos, apareceu na rede de televisão NBC, participou de numerosos programas de rádio, viu seu livro sendo usado em várias faculdades, foi elogiado por ganhadores do prêmio Pulitzer e importantes acadêmicos e cientistas. Ele é colaborador da antologia Neurotheology, obra sobre a nova ciência que está surgindo e da qual é um dos fundadores. Mora atualmente em Park Slope, Brooklyn, com seu gato, Sucio."

É isso. Está anunciada a próxima postagem!

Um abraço!

O livro: A Parte Divina do Cérebro. Matthew Alper. Editora Best Seller. Rio de Janeiro, 2007.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Saturação


Nas últimas férias da Universidade tive a oportunidade de participar de um programa de trabalho escravo nos Estados Unidos, por quase quatro gelados meses. Para minha sorte, algumas pessoas não se esqueceram do pequeno Junior. Na volta, recebi um ótimo presente da minha querida Tia Nedi. (Aliás, ela é em grande parte responsável por esse meu vício de ler. Não há como não ser influenciado pela mágica biblioteca da Tia Nedi! Passar a infância e a adolescência fuçando naqueles livros me moldou em parte.) Não sei como ela adivinhou que eu iria gostar do presente: um livro!

Pois bem. Recebido e devidamente lido. Bom, inclusive. Tanto que vou falar um pouco sobre o tal.

Trata-se de “Saturação”, escrito pelo francês Michel Maffesoli. Sociólogo, professor da Université de Paris-Descartes – Sorbonne, é considerado um dos fundadores da sociologia do cotidiano e conhecido por suas análises sobre a pós-modernidade, o imaginário e, sobretudo, pela popularização do conceito de tribo urbana. Dentre outras qualificações, é também um ótimo escritor.

Confesso que a leitura foi demorada, dada a densidade do conteúdo e minha inabilidade com textos excessivamente filosóficos. Mas, como toda tentativa é válida e devemos nos concentrar na absorção de algo proveitoso, consegui extrair algumas idéias bacanas e que gostaria de compartilhar. 

De uma forma geral, o texto trata sobre uma nova forma de se ver o mundo, a sociedade e a cultura. A vida em si. Como pista dada pelo título, a cultura que os mecanismos dominantes e formadores de opinião insistem em sustentar está saturada. É inegável que estamos em outro contexto, em uma nova realidade. Mas insiste-se em “adaptar” uma cultura que já não há como ser modificada, fruto dos séculos passados.

“Esquecendo progressivamente o choque cultural que lhe deu origem, a civilização moderna homogeneizou-se, racionalizou-se em excesso. E é sabido que “o tédio nasce da uniformidade”. A intensidade do ser perde-se quando a domesticação foi generalizada.”

Mais do que uma ótima análise da cultura pós-moderna, como cita o autor, o texto estrutura-se em uma bela crítica desta sociedade em processo de reconstrução. Além disso, é uma ótima ferramenta de estímulo a uma “revisão” de nossa própria conduta.

O pensamento mecânico raciocina, o orgânico, ressoa. Ele participa da palavra coletiva, do que é “dito” na retórica da vida de todo dia. Diferentemente das palavras ocas, encantatórias e sem sentido (coisa que, com muita frequência, é considerada como sendo uma análise), a palavra orgânica se dedica a unificar, reunir, sublinhar o que se entrepertence: a vida no que ela tem de holística.”

A obra não é extensa (109 páginas), mas é extremamente rica. Conteúdo indubitavelmente de qualidade. Embora não tão simples, é o tipo de pensamento que deveria ser promovido, divulgado, discutido em salas de aula.

Fico por aqui no texto de hoje, fechando esta postagem com mais um ótimo trecho do livro:

“Talvez além desses valores ativos, ou mesmo ativistas, os da construção do controle e da dominação (de si e do mundo), seja preciso saber retornar ao nada fundador, ao vazio natural, ao dado protetor e matricial. É a isso que chamei de invaginação do sentido. Além do substancial, do ser que é nominado, ou seja, além de entidades estáveis e seguras delas mesmas: Deus, Estado, Instituição, Indivíduo, curioso retorno de uma aspiração ao vazio criador. Isso não deixa de inquietar. Pois toda a educação moderna constitui em domar, bem cedo, a juventude e dela extirpar todo aspecto natural, toda selvageria. A tirar tudo que é da origem, portanto original.” 

Leiam! Mais do que isso: promovam a leitura de qualidade, construtiva. Estimulem a busca pelo que há de “original” dentro de cada um de nós. 

Abraços!

O livro faz parte de uma coleção promovida pelo Itaú Cultural, sob o selo da Lei de Incentivo à Cultura, e é editado pela Iluminuras.

Saturação. Michel Maffesoli. Iluminuras: Observatório Itaú Cultural, 2010.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Em busca...

Um salve a todos (embora poucos, mas de qualidade) leitores deste humilde blog.

Hoje resolvi não escrever sobre livros. Quer dizer...há relação com eles, mas não é sobre um título em especial. O que acontece é que a mão estava coçando, com vontade de publicar algo, mas os últimos livros que li não me inspiraram em escrever.

Vou falar um pouco sobre algo que há tempo quero tratar, mas relutei em começar tal discussão (ou, devido ao fluxo de comentários do blog, apenas uma via de escape para as idéias) dado o seu conteúdo polêmico e as incertezas que o cercam.

Pra começar...

Fui criado em uma família "católica". Meus avós são muito religiosos, inclusive. Desde pequeno fui conduzido pelos caminhos da Santa Madre Igreja, com batizado, catequese, comunhão, crisma, e inúmeras outras experiências e rituais sacros, pomposamente celebrados pelos "representantes de Deus" na comunidade.
Bom, nada de anormal para uma criança nascida em uma pequena e jovem cidade de colonização essencialmente italiana e alemã, pautada em uma cultura conservadora.
Acontece que nunca fui de me contentar apenas com o que me era fornecido superficialmente.
Tomei gosto pela leitura logo cedo. Graças à minha amada e dedicada mãe, ao iniciar o pré-escolar já havia aprendido a ler em casa, com um colorido alfabeto feito por ela em uma espécie de cartolina que agora me foge o nome.
Dado o gosto precoce pela leitura, meu espírito crítico foi sempre bem aguçado. Mesmo nas séries iniciais, não deixava de questionar o professor quando achava que algo não fazia sentido ou que poderia ser visto sobre outra ótica.
Sendo que a vida religiosa corria paralelamente ao desenvolvimento deste tal "espírito crítico", os questionamentos pessoais não eram menores neste campo. Confesso que muitas vezes relutei em questionar-me sobre a veracidade das "minhas" crenças. Sim, por motivos óbvios: no que mais pode pensar uma criança de 8 ou 10 anos ao pergunta-se sobre a existência de Deus ou sobre o sentido de um ritual religioso, senão em que está pecando? Isso porque nela está incutida a cultura de medo e vingança, pregada por religiões que se dizem cristãs.

Enfim, segui a vida, postergando o momento em que poderia vir a ameaçar romper as rédeas entrelaçadas por um batismo compulsório, uma comunhão obrigatória para fins de preenchimento de um campo em um formulário de inclusão social - religião: católica.

O objetivo aqui não é desmerecer religião alguma. Pelo contrário. Para muitas pessoas elas fazem algum sentido, são uma razão maior para a existência, enfim, tornam-se uma filosofia. Cada cabeça uma sentença. Para a minha, preciso de algo a mais.

É anunciado o fim do mundo para daqui a mais ou menos um ano e meio e, buscando o caminho para a salvação de minha alma, resolvi encontrar algo que me satisfaça espiritualmente e, quem sabe, garanta meu lugar quando passar dessa para uma melhor. Brincadeira...

Voltando ao assunto sério... Ainda sou jovem, apenas 22 anos, e muito devo aprender, muito irei ler, antes de chegar a uma conclusão definitiva (ou não) de qual seria uma boa doutrina para se seguir (ou não seguir nenhuma. Quem sabe criar uma?). O fato é que tenho lido uma porção de livros nesse tempo todo (desde o alfabeto de papel até hoje), que me fazem pensar e não aceitar titular-me de religião X apenas por ter nascido randomicamente em uma cidade, família ou cultura onde aquela seja reinante. Vou além disso, citando o título de um ótimo livro escrito por Osho: "Religiosidade é diferente de religião" (qualquer dia escrevo sobre ele).
Tive a oportunidade de viajar e conhecer pessoas de diferentes "crenças" (judeus, islâmicos, cristãos, ateus...), cujos pontos de vista contribuíram para que chegasse esse dia de "libertação", em busca de uma verdade maior não definida por dogmas, regras ou questões culturais.
A questão da existência de Deus já é algo além, e ainda não estou "maturado" a ponto de definir no que acredito ou não.

Enfim...fiz o download da Bíblia (e Torá, consequentemente) e do Alcorão, pra começar. É uma jornada longa, milhares de páginas, mas finalmente irei começar a descobrir, na íntegra, a que realmente estava predestinado a defender, sem mesmo tê-la conhecido, e quais outros pontos de vista são defendidos mundo afora, a ponto de causarem guerras e mortes de semelhantes.

Concordo, este é um texto confuso e que não mostra muito a que veio, mas precisava escrevê-lo.
Escrever é uma forma de organizar idéias (mesmo que às custas de desorganizar outras cabeças que venham a ler o resultado) e de ser o estopim para o início de uma caminhada de (des)construção interior.

Independentemente de religião ou crença, acho bacana que se tenha conhecimento do que se está defendendo ou propagando, não fazendo parte de uma massa de manobra ou de uma multidão que contribui para o enriquecimento de poucos. Sobretudo quando pautados em discursos enganosos e ilusórios, quando não sem conhecimento de causa ou ideologia. Ainda, dado o fato de que ninguém voltou para contar o que há depois do último suspiro ou qual a cotação dos imóveis no paraíso (ou no inferno), o fato de se arbitrar um dízimo perpétuo de 10 % para garantir uma vaga post mortem já é por si só questionável e mote para a busca de sua própria interpretação dos fatos.

No momento me auto-declaro "sem religião", o que não significa que não sou religioso. Dentro de um ou dois anos espero concluir a leitura das sagradas escrituras, que tanto respeitei ao longo de toda minha vida, e volto aqui pra declarar minha opinião. Claro, se o mundo não acabar até lá, se não formos arrebatados, se o Apocalipse não chegar...

Faça sua parte também. "Desconstrua" o que lhe foi imposto e construa sua própria razão de ser, mesmo que o resultado final seja igual ao primeiro. Ao menos você será o engenheiro responsável pela obra que é a sua vida, os seus valores.

Já posso dormir, me sinto aliviado.

Um grande abraço.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Iacocca - Uma Autobiografia


“Mesmo antes de me formar, queria trabalhar para a Ford. Eu dirigia um velho Ford 1938 de 60 HP, que despertou meu interesse pela Companhia. Mais de uma vez aconteceu de a engrenagem da transmissão quebrar quando eu estava subindo um morro. (...) Eu costumava brincar com os amigos: ‘Esses caras precisam de mim. Quem constrói um carro tão ruim precisa de ajuda’.”

E até hoje o mundo automobilístico agradece: de fato Iacocca realizou seu sonho. Lido, ou Lee, como passou a ser chamado, era americano, filho de italianos imigrantes. Talvez seja o retrato caricato do sonhador estadunidense do século XX. Passou, durante sua vida, por todas as classes que possamos imaginar – da infância parte pobre, parte rica, à vida de estudante e trabalhador de classe média, seguida pela riqueza de um grande executivo da terra do Tio Sam.

Particularmente, espero que a realização de um dos meus sonhos cruze, um dia, com uma de suas criações: o Mustang. Um visionário de seu tempo, Iacocca revolucionou a indústria automobilística, buscando investir em grandes mudanças – muitas vezes postas em dúvida – como a criação de carros compactos e econômicos, dadas as esperadas mudanças no cenário energético mundial.

Por ser considerado um gênio em sua forma de administrar, despertou a inveja de seu “superior”, Henry Ford (o neto), que se sentia ameaçado pela crescente popularidade de Lee. Em sua autobiografia, escrita juntamente com William Novak, Iacocca descreve desde a infância, em parte sofrida, passando pelos anos gloriosos na Ford, até sua demissão pelo então “ditador”, seguido de seu período na então quase quebrada Chrysler. Nesta, viu sua oportunidade de “vingança”: “Odeio Henry Ford pelo que ele me fez. Mas eu o odeio ainda mais pelo modo como o fez. Não me deu tempo para sentar e contar às minhas filhas antes que o mundo inteiro soubesse. Nunca o perdoarei por isso.”

E ele conseguiu dar o troco da melhor maneira, no mundo dos negócios, ao reerguer a Chrysler tomando uma enorme fatia de mercado de sua companhia anterior.

Comprei este livro após perceber que diversas personalidades atuais do mundo dos negócios o citam como inspiração. E o fazem bem. Iacocca – Uma autobiografia é um apanhado multidisciplinar de economia, administração, história e psicologia. Não poderia ser diferente, dadas as posições ocupadas pelo autor ao longo de sua vida. Com 399 páginas, o encontrei em um sebo por R$ 5,00.

A todos que quiserem entender um pouco melhor sobre a trajetória desse grande administrador, creio ser uma ótima obra. Percebe-se na narração uma objetividade sincera, revelando-se uma de suas características principais. Aos que não querem saber muito das particularidades da vida de Iacocca, é no mínimo um bom apanhado de conselhos profissionais.

Boa leitura!
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O livro: Iacocca – Uma Autobiografia. Lee Iacocca e William Novak. Cultura, 1985. 399 pp.

Iacocca possui um site bem bacana. Confiram: http://www.leeiacocca.net/

terça-feira, 3 de maio de 2011

A música clássica é para todos.

Olá!

Sei que estou demorando pra postar algo mais sobre livros. Estou quase finalizando um bem bacana, e em pouco tempo estarei apto a escrever.

Mas, como não só de livros se alimenta o intelecto e o espírito, hoje vou postar algo diferente. Créditos ao Victor, que já os cedeu ao Rafão, por ter repassado o link.
É um vídeo relativamente longo, cerca de vinte minutos. Lhes garanto que vale cada um deles.
O cara em questão: Benjamin Zander.
Nesta pequena palestra, Benjamin fala sobre a compreensão da música clássica. Mas, sobretudo, nos dá uma grande lição sobre o papel de um líder, sobre a realização de sonhos e sobre o nosso papel na construção de um mundo melhor.
Essa foi minha primeira impressão. Tirem suas próprias conclusões. Só não deixem de ver.

A paixão com que ele fala e a forma como nos mostra seu ponto de vista são incríveis.
Me fez lembrar, ao final, alguns dos motivos que me fizeram criar esse blog.

http://www.ted.com/talks/lang/eng/benjamin_zander_on_music_and_passion.html

Dica: há um campo abaixo do vídeo para selecionar e ativar a legenda. Procure por Português (Brazil).

Aproveitem!